Quem acompanha a política brasileira já percebeu que, quando o assunto envolve Lula e PT, sempre aparece um personagem no entorno trazendo dor de cabeça.
O roteiro se repete: estoura um escândalo, o governo finge surpresa, troca o nome da porta, tenta virar a página e segue como se nada tivesse acontecido.
Desta vez, o problema atende pelo nome de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que virou sinônimo de mistura de interesses estranhos com a máquina pública.
Em vez de explicação firme, o que o Planalto oferece é silêncio, discreção forçada e uma substituição calculada.
Por que tanta pressa em trocar?
A troca busca reduzir o desgaste político e tirar o caso dos holofotes.
No lugar de Marcola entra Oswaldo Malatesta Neto, já com a ordem clara: não aparecer, não criar problema, apenas tocar a agenda.
Ou seja, nada de protagonismo, nada de exposição.
O objetivo é simples: blindar Lula na reta final do mandato e na disputa eleitoral.
Quem ganha com esse silêncio conveniente?
Enquanto o Planalto finge que o assunto acabou, a Polícia Federal segue investigando e mantendo o caso Marcola vivo no debate político.
E aí entra outro ponto: em ano eleitoral, qualquer fato vira munição.
Quando é contra Lula, a direita amplifica.
Quando é contra a família Bolsonaro, a esquerda faz o mesmo.
Mas há uma diferença que o brasileiro sente na pele: a blindagem histórica em torno do petismo e de seus aliados.
Por que o caso ainda preocupa Lula?
Porque o avanço das investigações pode expor novas ligações e desgastar o governo.
O próprio colunista admite que vem aí um verdadeiro banho de lama eleitoral, com cada lado explorando o passado de escândalos do outro.
Só que, no caso de Lula, esse passado é longo, pesado e conhecido.
A tentativa de esconder Marcola atrás de um auxiliar discreto não apaga a pergunta que muita gente já está fazendo: até quando o Brasil vai aceitar mais um escândalo no entorno do presidente sem respostas claras?