Todo mundo já percebeu como a indústria do entretenimento adora transformar tragédia em produto.
Quanto mais sangue, mais audiência.
Quanto mais dor real, mais clique, mais assinatura.
E o público, cansado de tanta inversão de valores, assiste tudo isso com a sensação de que nada mais é sagrado.
Por que glamourizar assassinos condenados?
No fim, quem ganha espaço é quem tirou a vida de alguém, não quem perdeu tudo.
Quem está sendo homenageado aqui?
O caso Elize Matsunaga chocou o Brasil em 2012: assassinato, esquartejamento, ocultação de cadáver.
Condenada por homicídio triplamente qualificado, cumpriu pena em Tremembé e hoje está em liberdade condicional, trabalhando no interior de São Paulo.
Até aí, é a lei em funcionamento.
O problema é outro: enquanto a família da vítima tenta seguir em silêncio, plataformas gigantes disputam quem conta melhor a história da assassina.
Primeiro documentário, depois série inspirada na prisão, agora mais um filme na Netflix, “Elize: Sombras de uma mulher”, com elenco conhecido e toda a máquina de divulgação por trás.
Isso ajuda a sociedade ou normaliza o horror?
Até quando vamos aceitar que a dor alheia seja transformada em entretenimento de luxo, enquanto a vítima é reduzida a coadjuvante na própria história?