De novo, o roteiro conhecido: o povo sente na pele um Judiciário cada vez mais distante, politizado, interferindo em tudo, mas quem está lá em cima finge que está tudo sob controle.
Quando a indignação cresce, a resposta não é autocrítica, é ataque a quem ousa questionar.
Foi exatamente isso que fez Flávio Dino, hoje ministro do STF e ex-político de esquerda, ao usar o Dia do Advogado para dizer que não existe “crise terminal e apocalíptica” no Judiciário.
Para ele, quem denuncia abusos, ativismo judicial e decisões seletivas estaria movido por “objetivos ideológicos” e “oportunismos político-eleitorais”.
Ou seja, o problema não é o sistema, é você que reclama.
Quem está sendo chamado de oportunista agora?
Dino inverte o jogo e tenta colar o rótulo de ideológico em quem cobra limites e respeito à Constituição.
Por que negar a crise evidente?
Porque admitir a crise significaria reconhecer que o STF passou dos limites em vários momentos recentes, que a confiança despencou e que a população está cansada de ver decisões que parecem mais políticas do que jurídicas.
Que reforma Dino realmente defende?
Ele fala em “aprimorar” o sistema de Justiça, mas sem admitir o tamanho do problema.
Como confiar em uma reforma conduzida por quem se recusa a enxergar a gravidade da situação e ainda acusa os críticos de “fraudar a realidade”?
Até quando o brasileiro será tratado como inimigo por questionar o Judiciário?
Quando um ministro do STF diz que a crise é exagero ideológico, ele não está apenas defendendo a instituição, está protegendo um modelo que hoje beneficia a esquerda e cala a direita.
E é justamente aí que, para muita gente, agora tudo faz sentido.