Quem acompanha a política do Rio já se acostumou com o mesmo roteiro: condenação por improbidade, anos de recursos, decisões que vão e voltam, e, na hora da eleição, começa a corrida para tentar manter o nome na urna.
Com Anthony Garotinho não é diferente.
O ex-governador, velho conhecido da política fluminense, volta ao centro de uma batalha jurídica justamente quando aparece competitivo nas pesquisas.
Por que isso surge sempre agora?
A resposta está no calendário eleitoral e no histórico de processos que se arrastam por anos, deixando tudo para a última hora.
Garotinho foi condenado por improbidade em um caso pesado, envolvendo desvio de milhões da Saúde para ONGs ligadas à sua antiga pré-campanha presidencial.
A pena: oito anos sem direitos políticos.
Essa condenação já barrou sua candidatura em 2018 e 2022. Mesmo assim, em 2024 ele conseguiu liminar no STJ para disputar a Câmara de Vereadores.
O que a defesa está alegando agora?
Os advogados dizem que esses oito anos já teriam passado, porque a contagem deveria começar em 2018, quando o acórdão do Tribunal de Justiça foi proferido.
Enquanto isso, o juiz Ricardo Cyfer mandou comunicar ao TRE e ao TSE o encerramento do processo e a suspensão dos direitos políticos por oito anos, deixando nas mãos da Justiça Eleitoral a palavra final sobre a elegibilidade de Garotinho.
A decisão veio depois que Dias Toffoli, no STF, recusou recursos da defesa.
Quem decide a situação de Garotinho?
Nas redes, Garotinho fala em medo da sua candidatura e diz confiar em "pessoas de bem" dentro da Justiça e do Ministério Público, admitindo que as instituições estariam "contaminadas em parte".
Em um cenário em que a esquerda e o sistema judicial são acusados de agir com dois pesos e duas medidas, muitos eleitores se perguntam se a mesma rigidez vale para todos os lados.
A pergunta que fica é simples: vão deixar o eleitor decidir nas urnas ou tudo será resolvido em gabinetes e canetadas, mais uma vez, às vésperas da eleição?