Quem ainda acredita em “independência” entre poderes precisa olhar com calma para os movimentos em Brasília.
Sempre que o governo Lula leva susto no Congresso, logo aparece um novo gesto de “apoio”, curiosamente vindo de quem deveria fiscalizar o Planalto, não se ajoelhar diante dele.
Dessa vez, o protagonista é o presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, partido que vive dizendo ser de oposição responsável, conservador, moderado.
De oposição, só no discurso.
Na prática, o que vale é o velho toma-lá-dá-cá que a esquerda sempre fingiu combater.
Ninguém esperava isso de quem?
Por que esse apoio agora?
Porque Lula ainda tem força eleitoral na Paraíba, e Hugo Motta enxerga nisso um trampolim para os planos da própria família.
O objetivo é claro: eleger o pai, Nabor Wanderley, senador em 2026, disputando espaço com outro aliado de Lula no estado.
Ou seja, briga de aliados pelo mesmo guarda-chuva petista.
Quem ganha com esse acordão silencioso?
Lula ganha mais um aliado estratégico na Câmara.
Hugo Motta tenta garantir o apoio do Planalto para se manter presidente da Casa em 2027. E o contribuinte?
Esse continua pagando a conta de um sistema que se vende como democrático, mas funciona na base da conveniência.
Isso é independência dos poderes?
Não.
É alinhamento político calculado, onde o interesse regional e familiar fala mais alto que qualquer compromisso com conservadorismo, responsabilidade fiscal ou equilíbrio institucional.
Até quando a direita será usada como rótulo de campanha, enquanto, nos bastidores, líderes correm para o colo do PT em troca de proteção, cargos e projetos pessoais?