Há anos a esquerda repete o discurso de “instituições sólidas”, “PF independente” e “respeito às investigações”.
Mas, curiosamente, esse papo bonito só vale quando o alvo é a direita.
Quando a apuração começa a encostar em gente ligada ao governo Lula, ao sistema e aos protegidos de sempre, a história muda rápido.
De repente, surgem trocas de delegados, relatórios atrasados, fatiamento de inquérito, sorteio conveniente de relator amigo do Planalto e até a AGU entrando em cena para pressionar um ministro do próprio STF.
Tudo isso em torno de um escândalo de desvios em aposentadorias do INSS que começa a respingar em gente muito próxima do presidente.
Quem está sendo isolado agora?
Um ministro do STF que decidiu não fingir que nada está acontecendo.
André Mendonça viu o mesmo roteiro no caso Banco Master, quando tentou-se desmoralizar a investigação que atingia até ministros da Corte.
Agora, no caso INSS, o “sistema articulado” volta a agir para desacreditar o inquérito e preparar o terreno para futuras anulações.
Por que tanto medo das provas?
Porque Mendonça mandou a PF entregar o material bruto, limitou o acesso interno para cortar vazamentos seletivos e não aceitou que a polícia, subordinada até ontem a Flávio Dino, conduzisse tudo sem qualquer controle.
Resultado: começou a chover recado na imprensa dizendo que ele estaria “exagerando” e “interferindo” no trabalho técnico.
Quem está protegendo quem exatamente?
Quando a Lava Jato apertava o PT, chamavam de abuso.
Agora, com investigações que podem atingir o filho mais velho de Lula e figuras do alto escalão, o mesmo discurso reaparece, mas com um detalhe: a máquina inteira se move para emparedar justamente quem tenta garantir que as provas não sumam.
Até quando o Brasil vai aceitar que a lei seja dura só para um lado, enquanto o outro é blindado por dentro do próprio sistema que deveria garantir justiça?