No Brasil de hoje, já virou rotina: quando dá problema, o sistema corre para achar um culpado rápido, de preferência alguém sem holofote, sem advogado caro, sem mídia amiga.
Enquanto isso, quem vive de fama, likes e tapinha nas costas de artista segue fazendo graça com tudo, até com aquilo que deveria ser levado a sério.
Dessa vez, a cena envolve viatura da Polícia Militar de Alagoas, gravação de reality show e o influenciador Carlinhos Maia, acostumado a transformar qualquer situação em entretenimento.
Ele mesmo admitiu que foi burrice usar o carro oficial em vídeo para o Rancho do Maia.
Mas, curiosamente, quem está sendo investigado de verdade não é o famoso, e sim os policiais que apareceram na gravação.
Por que sempre sobra para a base?
Porque é mais fácil punir o lado fraco da história.
O policial é recolhido, vira alvo de procedimento disciplinar, enquanto o artista grava vídeo, se explica, diz que foi ingenuidade e segue a vida.
A pergunta que fica é: até quando o sistema vai tratar servidor da segurança como descartável, enquanto passa pano para celebridade?
Quem realmente decidiu usar a viatura?
Ou seja, a iniciativa partiu do influenciador, mas o peso da punição cai quase todo sobre os PMs.
Por que a esquerda ignora esse caso?
Porque não envolve policial reagindo a bandido, não serve para atacar a corporação como eles gostam de fazer.
Aqui, a narrativa muda.
Não tem militante gritando contra abuso, não tem artista engajado defendendo os agentes agora que eles podem ser punidos por agradar um famoso.
Quem protege o policial de rua?
Ninguém.
Quando é para cobrar resultado, todo mundo aponta o dedo.
Quando é para defender o agente que errou por ingenuidade, mas sem má-fé, o silêncio domina.
A PM abre investigação, fala em desvio de conduta, mas não se vê a mesma energia para cobrar responsabilidade de quem usou a estrutura pública como cenário de entretenimento.
No fim, fica a sensação de sempre: se fosse alguém da direita, já estariam falando em escândalo nacional.
Como é queridinho da mídia, o foco vira o PM.
Dois pesos, duas medidas, e o brasileiro que respeita a farda olha para isso e pensa: até quando essa hipocrisia vai mandar no país?