Quem acompanha a política do Rio de Janeiro já percebeu o movimento silencioso para enfraquecer qualquer nome ligado ao bolsonarismo no estado.
Enquanto a esquerda se organiza em torno de Eduardo Paes, com o apoio aberto de Lula, o que se vê é uma sequência de manobras de bastidor para isolar o PL e quem ousa enfrentar esse bloco.
Não é de hoje que partidos do centrão flertam com o poder de plantão, mesmo depois de posar de oposição em época de eleição.
O discurso é sempre o mesmo: experiência, responsabilidade, união pelo estado.
Mas, na prática, o resultado é conhecido: acordos de cúpula, neutralidade combinada e esvaziamento de candidaturas que poderiam representar uma alternativa real ao projeto lulista.
Por que o PL está sendo isolado?
O PSD de Paes trabalhou para puxar figuras do PP, pressionar a federação e empurrar o partido para a tal "neutralidade" que, na vida real, só ajuda quem já está no topo das pesquisas.
Quem ganha com essa movimentação?
Ganha também a velha política, que prefere se alinhar a quem tem máquina, tempo de TV e benção do Planalto, em vez de bancar um projeto de mudança verdadeira.
Por que essa mudança de lado agora?
Porque o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, que até mês passado era vice na chapa de Ruas pelo PL, decidiu abandonar o barco e declarar apoio justamente a Eduardo Paes.
O mesmo Paes com quem ele sempre teve proximidade e que já o havia cogitado como vice.
Agora, sob o discurso de que "não é hora de correr riscos" e que é preciso um nome "experiente", Lisboa troca o projeto alinhado ao bolsonarismo para se juntar ao candidato de Lula, reforçando a sensação de que, no Rio, a pressão do sistema contra a direita está mais forte do que nunca.