Há anos a esquerda repete o discurso de defesa das instituições, do respeito às regras e da tal “técnica” acima da política.
Mas, na prática, o que se vê no governo Lula é cada vez mais um poder paralelo orbitando o Planalto, sem voto, sem cargo e, ao que tudo indica, com muita influência.
Dessa vez, o alvo foi a plataforma Discord.
O estopim foi um caso gravíssimo envolvendo uma adolescente, que obviamente merece investigação séria e punição de quem for responsável.
Mas a pergunta que não quer calar é outra.
Quem está mandando de fato hoje?
A resposta passa pela cena no Palácio do Planalto: primeira-dama Janja, ao lado do ministro da Justiça e do advogado-geral da União, cobrando publicamente “instrumentos” contra o Discord e perguntando quais mecanismos poderiam ser usados.
Horas depois, a AGU anuncia que vai entrar com ação civil pública contra a plataforma.
Coincidência inocente?
Quem tomou a decisão jurídica final?
Segundo a representação da deputada Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina, não há notícia de processo técnico-administrativo prévio e formal que justifique essa rapidez toda.
A cronologia é o que assusta: fala política primeiro, medida oficial depois.
E tudo isso partindo de alguém que não ocupa qualquer função na administração pública.
Isso é usurpação de função pública?
A deputada cita justamente o artigo 328 do Código Penal, que trata desse crime, e pede ao Ministério Público Federal que investigue se houve exercício de fato de atribuição decisória por quem não tem título para isso.
Ela também questiona possíveis violações aos princípios constitucionais que organizam a Administração Pública e as atribuições do presidente.
Por que ignoraram decisão judicial anterior?
Outro ponto pesado: a própria Secretaria Nacional de Direitos Digitais informou que a polícia já tinha pedido à Justiça a suspensão do Discord no caso da adolescente, e o Judiciário negou.
Mesmo assim, logo após a cobrança pública de Janja, a AGU anuncia nova ofensiva contra a plataforma.
O que mudou em tão pouco tempo além da pressão política?
Onde entra Lula nessa história?
Zanatta quer que o MPF requisite documentos da Casa Civil, do Ministério da Justiça e da AGU para saber como a decisão foi tomada e se houve determinação formal do presidente.
Em outras palavras, ela está perguntando o que muita gente já comenta nas redes: quem governa, Lula ou Janja?
Enquanto isso, a mesma turma que fala em “golpismo” e “ataques à democracia” finge não ver quando o próprio governo parece deslocar o centro decisório para fora dos cargos oficiais.
Quando é alguém da direita, é perseguição, inquérito e manchete.
Quando é do lado deles, é “preocupação social”.
Até quando esse dois pesos e duas medidas?