Quem acompanha a esquerda brasileira sabe que, quando o PT fala em “projeto nacional”, quase sempre vem junto mais Estado, mais controle e menos liberdade.
Agora, o discurso da vez é a tal “soberania digital” e a entrada triunfal na “era da Inteligência Artificial”.
Lula reuniu ministros, especialistas e mercado para anunciar que o Brasil estaria pronto para essa nova fase tecnológica.
Mas, no meio das frases bonitas, apareceu o ponto central: o problema, segundo ele, é que cada órgão do governo tem seus próprios dados e não entrega tudo para uma inteligência centralizada.
Quem deve controlar nossos dados pessoais?
O próprio Lula deixou claro que quer integrar tudo em estruturas estatais como Serpro e Dataprev, concentrando informações de saúde, educação, forças armadas e muito mais nas mãos do governo federal.
Por que isso preocupa tanta gente?
O que significa “ser dono do próprio nariz”?
Quem garante que não haverá perseguição?
Ninguém.
E o histórico de uso político da máquina pública pelo PT não ajuda a confiar.
A promessa é usar IA para o bem, mas a tentação de vigiar, mapear e rotular opositores será enorme.
Enquanto fala em “não disputar com China e EUA”, Lula ecoa justamente o modelo de países que usam tecnologia para vigiar sua população.
O discurso é de modernidade, mas o cheiro é de velho projeto de poder.
No fim, a tal “soberania digital” pode ser menos sobre proteger o Brasil e mais sobre proteger o sistema que está no poder.