Quem sempre repetiu o discurso de “defesa da democracia” agora assiste, calado ou constrangido, a mais um passo perigoso contra a liberdade de imprensa no Brasil.
Quando o alvo é conservador, a máquina do Estado avança sem dó.
Mas quando a denúncia encosta em ministro amigo da esquerda, o jogo muda completamente.
Sigilo de fonte sempre foi cláusula sagrada para qualquer jornalista sério.
De repente, justamente no governo que se diz defensor da “imprensa livre”, uma fonte é vasculhada pela Polícia Federal porque teria repassado informações sobre o ministro do STF e ex-governador do Maranhão, Flávio Dino.
Quem está sendo protegido aqui afinal?
A operação mira o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo, que publicou reportagens sobre suposto uso de carros oficiais do Judiciário por familiares de Dino.
O jornalista já tinha sido alvo de busca e apreensão em março, também autorizada por Alexandre de Moraes.
Por que atacar justamente a fonte agora?
O advogado de Cutrim nem sequer teve acesso aos autos, o que aumenta ainda mais a sensação de arbitrariedade.
Isso fere qual artigo da Constituição?
O artigo 5º, inciso XIV, que resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.
Ou seja, exatamente o caso de um jornalista investigando possível uso indevido de carros oficiais.
Por que entidades da mídia reagiram?
ABERT, ANJ e ANER divulgaram nota dura, dizendo que ações assim não têm amparo constitucional, intimidam a imprensa e abrem precedente perigoso contra qualquer profissional que ouse investigar poderosos.
Dois pesos e duas medidas?
Quando a esquerda fala em “ameaça à democracia”, o STF vira escudo.
Quando a denúncia encosta em um ministro alinhado ao governo, a PF bate na porta da fonte e do jornalista.
O recado é claro: quem ousar expor os intocáveis pode pagar caro.
Até quando o Brasil vai aceitar que o sigilo de fonte, usado por décadas para denunciar corrupção, agora seja tratado como problema apenas quando incomoda gente do topo do sistema?