Quando até sindicato de jornalistas, historicamente alinhado à esquerda, resolve bater de frente com Alexandre de Moraes, é porque a coisa passou de todos os limites.
O que sempre foi tratado como “teoria da conspiração bolsonarista” agora está sendo sentido na pele por quem sempre aplaudiu o STF como salvador da democracia.
A operação da Polícia Federal, autorizada por Moraes, contra Raimundo Cutrim, fonte do jornalista Luís Pablo, acendeu um alerta vermelho em quem ainda leva a sério liberdade de imprensa e sigilo da fonte.
O detalhe incômodo: tudo começou depois de reportagens sobre uso irregular de carros oficiais por familiares do ministro Flávio Dino, hoje no próprio STF.
Quem está sendo realmente investigado aqui?
Ou seja, o foco foi em quem expôs o fato, não em quem se beneficiou dele.
Por que o sigilo da fonte incomoda?
Porque o sigilo protege quem denuncia poderosos.
Quando o Estado invade equipamentos, celulares e notebooks ligados à apuração, o recado é claro: pense duas vezes antes de falar contra gente do sistema.
Onde ficou a tal liberdade de imprensa?
Ela virou discurso vazio quando o alvo é alguém que ousa expor ministro influente.
As entidades lembram que o sigilo da fonte está no artigo 5º da Constituição, mas isso parece valer menos quando entra em cena o interesse político.
Por que Flávio Dino não é cobrado?
A denúncia some, a fonte vira ré.
Dois pesos, duas medidas.
Quando é contra a direita, qualquer boato vira manchete, vazamento é celebrado como heroísmo e “fontes anônimas” são tratadas como mártires.
Quando alguém encosta em ministro da esquerda, a máquina se volta contra quem falou.
Até quando o Brasil vai fingir que isso é normal?