Quem ainda acreditava em “independência” do Senado está assistindo, ao vivo, mais um capítulo do velho toma-lá-dá-cá de Brasília.
O mesmo discurso de equilíbrio, moderação e autonomia some rapidinho quando o Planalto petista acena com poder, cargos e palanque.
A tal “nova política” virou só mais um rótulo para esconder o mesmo jogo de sempre.
Durante meses, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez pose de articulador forte, supostamente distante das disputas eleitorais de Lula.
Mas, nos bastidores, o que realmente estava sendo costurado?
Quem ganha e quem perde quando o chefe do Legislativo se aproxima tanto do governo que deveria fiscalizar?
Quem está mandando no Senado hoje?
A fala do ministro José Guimarães deixa claro que o Planalto dita a linha e cobra fidelidade em troca de apoio eleitoral.
Por que esse apoio é tão importante?
E as pautas que atingem o trabalhador?
Segundo o próprio governo, Alcolumbre terá de abraçar projetos prioritários do Planalto, como mudanças na jornada de trabalho, para fortalecer sua própria reeleição ao Senado.
É isso mesmo que o brasileiro queria?
Em vez de um Senado firme, vemos um presidente da Casa se alinhando ao projeto de poder de Lula, repetindo a velha cartilha da esquerda: blindagem para os seus, pressão contra quem pensa diferente e uso da estrutura do Estado para garantir permanência no comando.
Até quando o Legislativo vai servir de extensão do Planalto?
Até quando acordos regionais e palanques eleitorais vão valer mais do que a independência entre os poderes?
Para eles, sim.
Para o cidadão cansado desse sistema, a sensação é outra: o cerco do lulismo sobre as instituições segue firme, e quem ousa discordar sabe muito bem como é tratado no Brasil de hoje.