Todo mundo lembra do discurso da “responsabilidade fiscal”, do “arcabouço sério” e da promessa de não repetir pedaladas.
Pois é.
Passaram-se poucos meses e o velho roteiro petista reaparece, só que agora embalado em narrativa de guerra lá fora para justificar conta aqui dentro.
Enquanto o brasileiro se vira com combustível caro e inflação corroendo salário, Brasília faz o que sabe melhor: costura de bastidor, acordo de cúpula e texto cheio de detalhe escondido.
Lula se reúne com Davi Alcolumbre, governo fecha arranjo, e a Câmara aprova em massa um projeto que mexe em bilhões, como se fosse algo técnico e inofensivo.
Por que usar guerra externa agora?
Porque é a desculpa perfeita para abrir espaço fiscal sem admitir que está gastando mais.
O governo pega a explosão de arrecadação do petróleo e transforma em autorização para renúncia de tributos sobre combustíveis em 2026, ano eleitoral municipal já aquecido e preparação para 2028.
Quem ganha com essa jogada?
Se o cenário mudar, a conta sobra para o contribuinte e para cortes futuros.
E, no meio, ainda entram jabutis: benefício fiscal para Fifa na Copa do Mundo Feminina de 2027 e regras para hospitais “inteligentes” de alta complexidade.
Por que enfiar Fifa no meio disso?
Porque é a velha prática da esquerda no Congresso: usa um tema popular, como combustível, para empurrar privilégios e isenções para grupos específicos, longe dos holofotes.
Tudo dentro da lei, mas longe da transparência que o cidadão espera.
E os tais gatilhos fiscais de 2027?
Servem como escudo retórico.
O texto fala em travar despesas se houver déficit, mas quem conhece o histórico do PT sabe como essas travas são contornadas na prática.
Primeiro se gasta, depois se inventa justificativa.
No fim, o governo Lula vende ao povo a imagem de que está “ajudando” no preço dos combustíveis, enquanto usa a alta do petróleo para montar um esquema de compensações, créditos fiscais, subsídios ao etanol e até renúncia para projetos de fertilizantes.
Tudo isso com a Câmara carimbando 318 votos favoráveis.
A pergunta que fica é simples: até quando o brasileiro vai aceitar que cada crise internacional vire oportunidade para mais manobra interna, mais jabuti e mais poder concentrado na caneta do Planalto?