Todo mundo já percebeu o padrão: quando a denúncia envolve gente graúda da esquerda ou do próprio STF, o foco nunca é o possível abuso, e sim quem ousou expor o problema.
Agora, a coisa foi além do limite.
O que era garantia constitucional virou alvo direto do sistema.
Por que ninguém investiga o conteúdo?
Em vez de apurar com rigor o suposto uso de carro blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino, a máquina estatal se voltou contra o jornalista Luís Pablo e, agora, contra sua fonte, Raimundo Cutrim.
PF, PGR e Alexandre de Moraes atuando em sintonia para quebrar, na prática, o sigilo da fonte jornalística, protegido claramente pelo artigo 5º da Constituição.
Quem ganha com esse recado?
Ganha quem tem medo de ver contratos, privilégios e mordomias expostos à luz do dia.
O mais grave é que não se trata de um ato isolado.
O mesmo STF que se mostra implacável com jornalistas e fontes é o que se incomoda quando vazam informações sobre contratos milionários ligados a familiares de ministros ou sobre viagens luxuosas com uísque caríssimo bancado por empresários.
Coincidência?
Isso é proteção à democracia?
Não.
É proteção a autoridades que não querem ser fiscalizadas pela população.
O resultado é óbvio: qualquer servidor ou agente público que tenha provas de irregularidades vai pensar duas vezes antes de procurar a imprensa.
Medo de busca, medo de PF na porta, medo de virar réu enquanto o possível abuso com dinheiro público segue em banho-maria.
Quando o sigilo da fonte cai, cai junto a última barreira entre o cidadão e os bastidores do poder.
E o recado que Brasília manda hoje é claro: quem ousar expor os de cima pode pagar caro, enquanto o uso suspeito de bens públicos por aliados segue em segundo plano, protegido pelo silêncio e pela força do cargo.