Quem acompanha a novela petista já percebeu o padrão: discurso de humildade para o povo, conforto e discrição lá fora.
Enquanto o brasileiro aperta o cinto, a família do poder vai se ajeitando em endereços cada vez mais seletos, sempre com aquela sensação de blindagem que irrita metade do país.
Por que sempre sobra para direita?
A direita é tratada como inimiga, enquanto figuras ligadas à esquerda, mesmo investigadas, seguem circulando com naturalidade, abrindo empresas, mudando sedes e tocando a vida no exterior sem o mesmo peso da suspeita que cai sobre qualquer aliado conservador.
O que está acontecendo exatamente?
O filho mais velho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mudou em abril o endereço comercial de sua empresa de tecnologia na Espanha para um complexo de coworking em uma área valorizada de Madri, a poucos metros do estádio Santiago Bernabéu.
O registro oficial dessa atualização só apareceu na semana passada.
Por que esse detalhe incomoda tanto?
É o filho do presidente, com histórico de negócios polêmicos, agora dono de 100 por cento da Synapta, administrando sozinho a empresa, enquanto no Brasil é alvo de investigações por suspeita de tráfico de influência e corrupção passiva ligadas ao Ministério da Saúde e ao lobista conhecido como Careca do INSS.
Quem está investigando tudo isso?
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou no fim de julho a investigação sobre essas suspeitas.
Mesmo assim, a movimentação empresarial segue firme na Europa, com capital social declarado de 3 mil euros e relatório apontando risco moderado alto de atraso em pagamentos.
Isso é normal em uma democracia?
Tecnicamente, abrir empresa e mudar endereço é legal.
O problema é o contexto: enquanto a esquerda fala em ética, combate à corrupção e justiça social, o brasileiro olha para mais um capítulo em que a família do poder se organiza confortavelmente fora do país, sob investigação, e sente que, de novo, há dois pesos e duas medidas.
Até quando o Brasil vai fingir que não vê?