Quem acompanha a política do Rio de Janeiro já percebeu que, por aqui, a velha guarda da esquerda e da velha política sempre dá um jeito de se reencontrar.
Promessas de renovação aparecem em época de eleição, mas na hora decisiva, os acordos de bastidor falam mais alto.
E o eleitor conservador, mais uma vez, fica com a sensação de ter sido usado.
Por que Romário saiu do PL?
Romário foi eleito surfando na imagem de ídolo popular, falando em defender o povo e bater de frente com privilégios.
Mas, na prática, o que se vê é um senador que se afastou do Senado para comentar Copa em canal de internet, precisou recuar depois da pressão popular sobre o salário e ainda enfrenta na Justiça uma cobrança milionária de mais de 32 milhões de reais.
O que significa apoiar Eduardo Paes?
Significa se alinhar a um candidato que conta com o apoio de Lula e da esquerda, mesmo Romário dizendo que não precisa concordar em tudo com ele.
Na prática, é um movimento que fortalece o campo lulista no Rio.
Onde fica o compromisso com direita?
Na retórica.
Ao sair do PL justamente às vésperas da campanha, Romário enfraquece a base conservadora no estado e ajuda a consolidar o projeto de poder que Lula e seus aliados querem no Rio.
Por que essa decisão agora?
Mas o timing, coincidindo com pesquisas que colocam Paes na frente, levanta a pergunta que muitos fazem em voz baixa: é convicção ou conveniência?
Até quando o eleitor vai aceitar ver gente eleita com voto conservador migrando, na hora H, para o colo de quem sempre representou a velha política do Rio?
Essa é a conta que, mais cedo ou mais tarde, chega nas urnas.