Todo mundo já percebeu como a política virou um grande teatro onde só alguns podem tudo e o resto do país fica assistindo de longe.
Quando é gente ligada à esquerda, artista militante ou aliado do sistema, a conversa é sempre de “narrativa”, “contexto”, “normalidade”.
Quando é alguém que incomoda o esquema, a lupa aparece na hora.
Com Pablo Marçal não está sendo diferente.
Coach, influenciador, outsider, fala o que pensa, cutuca o sistema, mexe com a bolha da velha política.
Resultado: condenação por 7 a 0 no TRE-SP, oito anos de inelegibilidade, guerra jurídica em cima de hashtag e vídeo em rede social, enquanto tantos outros fazem coisa muito pior e seguem intocados.
Por que Marçal incomoda tanto assim?
Isso assusta quem sempre controlou o jogo.
E aí vem o ponto que deixou todo mundo de queixo caído: na hora de registrar a candidatura à Presidência pelo PRTB, mesmo ainda inelegível, Marçal declara um patrimônio de 7,4 bilhões de reais.
Há dois anos, quando disputou a prefeitura de São Paulo, tinha informado 169,5 milhões ao TSE.
Como explicar esse salto bilionário?
O crescimento declarado é de mais de 4.200%, dividido em aplicações financeiras, imóveis, participações em empresas e até um terreno de 490 milhões em Santana de Parnaíba.
Tudo dentro dos dados oficiais entregues à Justiça Eleitoral.
Quem fiscaliza esse crescimento patrimonial?
A própria Justiça Eleitoral recebe, cruza e pode acionar outros órgãos se encontrar irregularidades.
Até agora, o foco do processo foi o uso de meios de comunicação, não a origem do dinheiro.
Por que só alguns são questionados?
Quando é alguém que desafia o establishment, a máquina aperta.
Quando é figurão da esquerda, o discurso muda para “presunção de inocência” e “perseguição”.
No fim, o que revolta o brasileiro conservador não é só o número bilionário, mas a sensação de dois pesos e duas medidas.
Marçal pode ter que se explicar muito sobre essa fortuna, mas a pergunta que não quer calar é: até quando a Justiça será dura com uns e cega com outros?