Quem acompanha a novela do STF já percebeu um padrão cansativo: quando a denúncia envolve gente ligada à esquerda, o foco quase nunca é o possível abuso com dinheiro público, mas sim quem ousou mostrar o problema.
Com Flávio Dino não está sendo diferente.
Em vez de uma apuração transparente sobre o uso de uma Toyota SW4 blindada do Tribunal de Justiça do Maranhão, paga com verba pública para segurança de magistrados, o que o sistema resolveu fazer?
Mirar no mensageiro.
O jornalista Luís Pablo teve casa vasculhada, equipamentos de trabalho apreendidos e até sua fonte exposta pela Polícia Federal, tudo dentro do inquérito das fake news, comandado por Alexandre de Moraes.
Por que a fonte foi exposta?
Isso gerou forte reação de entidades de imprensa, que viram quebra indireta do sigilo da fonte.
Onde entra Flávio Dino nisso?
Dino aparece como suposta vítima, alegando perseguição e risco à sua segurança.
Ao mesmo tempo, ele próprio relata outro inquérito contra o mesmo informante no STF, acumulando o papel de interessado e autoridade envolvida.
Quem está sendo realmente investigado?
Na prática, o peso das medidas recai sobre o jornalista e sua fonte, enquanto a denúncia original sobre uso de carro oficial em atividades privadas segue em segundo plano.
Agora, pressionado pela repercussão internacional e pela crítica de juristas, Dino correu ao Instagram para publicar um frame de vídeo na praia e dizer que o carro era particular, o vídeo era antigo e que tudo seria apenas “indústria de fake news”.
A pergunta que fica é justamente a que o brasileiro cansado de dois pesos e duas medidas quer ver respondida: se está tudo tão claro assim, por que o sistema parece mais preocupado em calar quem mostrou o carro do que em esclarecer, de forma definitiva, como um veículo de luxo do TJ-MA acabou no centro dessa história?