Todo brasileiro que acompanha política já percebeu o roteiro repetido: autoridade sobe no palco, cita Constituição, fala bonito sobre democracia, liberdade de imprensa, direitos fundamentais, e volta para casa enquanto, nos bastidores, a máquina continua passando por cima de quem ousa incomodar os poderosos.
Foi exatamente esse clima que cercou a fala de Cármen Lúcia em evento da BBC.
Ela garantiu que a liberdade de imprensa “não está em questão” no Brasil, citou artigo 220, artigo 5º, sigilo da fonte, tudo muito correto no papel.
Mas o brasileiro olha para a prática e se pergunta: onde está essa tal liberdade quando a notícia atinge gente da esquerda e aliados do sistema?
Por que essa contradição tão gritante?
A mensagem que fica é simples: criticar conservador pode, mexer com aliado do governo não.
Quem realmente está sendo protegido?
Na prática, quem acaba protegido é o político poderoso, não o jornalista independente.
Quando a fonte é ligada a denúncia contra nomes da esquerda, o sigilo vira “suspeito” e passa a ser tratado como possível crime.
Por que o povo desconfia tanto?
A mesma Corte que fala em “direito democrático” permite que se relativize o sigilo da fonte, sempre com a justificativa de combater ilícitos, mas curiosamente quando o alvo é alguém bem posicionado no jogo político.
Enquanto isso, Cármen Lúcia diz que não comenta caso específico, que vai votar quando chegar a hora e que o STF “historicamente” defende a imprensa.
O problema é que o histórico recente mostra outra coisa: jornalistas e fontes sendo pressionados, enquanto narrativas favoráveis à esquerda seguem blindadas.
No fim, o que mais revolta é ouvir que “a liberdade de imprensa não está em questão” justamente na semana em que uma fonte de jornalista é alvo de operação por mexer com um ministro.
O discurso é de proteção à imprensa.
O fato concreto é que quem ousa expor o lado errado do poder sente na pele o peso do sistema.