Quem acompanha a política brasileira já percebeu que, quando o assunto envolve figuras da esquerda bem posicionadas em Brasília, a régua muda de tamanho.
O que antes era discurso inflamado em defesa da liberdade de imprensa e da proteção da fonte jornalística, agora parece ter virado detalhe incômodo quando a denúncia atinge um nome poderoso do campo vermelho.
Nos últimos anos, a narrativa foi sempre a mesma: qualquer questionamento a jornalistas alinhados à esquerda era tratado como ataque à democracia.
Mas, de repente, quando uma reportagem expõe uso indevido de carros oficiais por familiares de um ex-governador que virou ministro do STF, o tratamento muda.
Coincidência, justo em ano eleitoral, no mesmo estado onde esses grupos disputam espaço e poder?
Quem está sendo protegido agora?
A decisão que expôs a fonte acaba favorecendo, na prática, quem foi alvo da denúncia, ou seja, Flávio Dino, hoje ministro do STF.
Por que a esquerda silenciou agora?
A defesa do ex-secretário Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo, fala em precedente perigoso e absurdo.
Se fornecer informações para a imprensa passa a ser tratado como algo suspeito, o recado é claro: quem ousar mexer com gente grande ligada ao sistema pode pagar caro.
Quem ganha com esse precedente perigoso?
Ganha quem está no topo da estrutura de poder e não quer ver seus bastidores expostos.
O próprio advogado de Cutrim lembra o óbvio que muita gente finge não ver: há um clima de animosidade política entre Dino, o atual governador Carlos Brandão e o próprio Cutrim, todos já foram do mesmo grupo.
Agora, antigos aliados viraram inimigos, e justamente um deles é julgado por quem hoje ocupa uma cadeira no STF depois de ter mandado e desmandado no Maranhão.
Isso é normal em uma democracia?
Não é saudável que um ex-governador julgue causas envolvendo antigos aliados e adversários diretos em seu próprio estado.
Enquanto isso, o jornalista teve computadores apreendidos e sua fonte foi exposta.
A pergunta que fica é simples e incômoda: se fosse um caso envolvendo alguém da direita, o tratamento seria o mesmo ou já estariam gritando censura em todos os canais de TV?