Todo mundo já percebeu o roteiro: quando é alguém ligado à esquerda, o sistema corre para acalmar, relativizar, arquivar.
Quando é alguém da direita, principalmente bolsonarista, a máquina inteira se move para destruir reputações.
O caso envolvendo a deputada Erika Hilton, do PSOL, só reforça essa sensação de dois pesos e duas medidas que revolta boa parte do Brasil.
Erika não é qualquer nome.
É figura queridinha da mídia progressista, militante de esquerda, presidente de comissão na Câmara e símbolo de várias pautas identitárias usadas como escudo político.
Quando surgiram denúncias de que assessores lotados no gabinete também atuariam como maquiadores pessoais, pagos com dinheiro público, muita gente pensou na hora: se fosse um deputado conservador, o que aconteceria?
Por que tanta pressa em arquivar?
A PGR afirmou não ver elementos mínimos para seguir com a investigação.
Disse que os assessores podem atuar na área de beleza e estética, desde que fora do expediente, e que não ficou comprovado uso indevido de recursos públicos.
A Justiça Federal na Bahia foi na mesma linha, julgando os pedidos improcedentes.
Quem é blindado nesse sistema?
A resposta é clara: figuras da esquerda costumam ser tratadas com enorme boa vontade institucional.
A PGR destacou que não há proibição para atividades privadas de secretários parlamentares, desde que cumpram a jornada.
A defesa de Erika repetiu o discurso de que tudo é pontual, fora do horário, sem custo ao erário.
E ficou por isso mesmo.
Onde está o mesmo rigor agora?
Quando deputados do PL acionaram a PGR, em 2025, após reportagem revelar que dois assessores de Erika também trabalhavam como maquiadores pessoais, a expectativa era de, no mínimo, uma apuração firme.
Em vez disso, veio o arquivamento rápido, com a justificativa de ausência de indícios suficientes.
Por que direita é tratada diferente?
Porque o sistema alimenta a narrativa de que conservador é sempre suspeito e militante de esquerda é sempre vítima.
A sensação de impunidade seletiva cresce a cada caso como esse.
A pergunta que fica é inevitável: até quando o brasileiro vai aceitar ver a esquerda saindo ilesa de tudo enquanto a direita é perseguida por muito menos?
Quem ganha com essa decisão?
Perde o cidadão comum, que olha para mais um arquivamento e sente que, de novo, a verdade foi maquiada para caber no jogo de poder de Brasília.