Era para ser uma cena leve, pensada para aproximar, mas bastou um detalhe aparecer no prato para tudo sair do controle.
O que parecia uma ação de comunicação voltada ao público jovem nas redes acabou se transformando em mais um desgaste para o governo.
Como isso aconteceu?
A ideia partiu da Secom do Palácio do Planalto, que decidiu gravar momentos de descontração de Lula e Janja.
O casal avisou que toparia o desafio, mas não informou antes qual seria o cardápio.
E por que isso virou problema?
Porque, no meio da gravação, surgiu a carne de paca no almoço.
A situação ganhou peso ainda maior quando o presidente elogiou o animal silvestre cozido.
O que era para render identificação e espontaneidade passou a produzir reação negativa.
A razão é direta: a paca entrou em cena como símbolo de uma escolha considerada desastrosa para quem ocupa a Presidência e deveria dar exemplo.
Mas o incômodo ficou restrito ao prato?
Não.
O episódio abriu duas frentes de desgaste.
A primeira foi a própria presença da carne de caça proibida em um almoço presidencial.
A segunda veio por contraste com uma promessa que segue viva no imaginário político: a da picanha barata.
Se a campanha eleitoral associou o governo à ideia de comida mais acessível na mesa do brasileiro, por que a imagem agora é outra?
Porque, segundo a informação citada, o quilo da picanha está a R$ 77,00, e isso reforça a distância entre a promessa e a realidade percebida.
E o impacto ficou só na comunicação presidencial?
Não exatamente.
Em outro foco da política, a Alerj vive expectativa sobre a decisão do STF a respeito da eleição para governador do Rio.
O que foi informado aos deputados?
O presidente interino da Assembleia, Guilherme Delarolli (PL), avisou que nada muda nos trabalhos até a definição da Corte.
E qual é a tendência?
A informação aponta que tudo indica para uma eleição direta.
Se isso se confirmar, a disputa interna perde força?
Não por completo.
Mesmo que a Assembleia perca o poder de escolha interna, um grupo forte dentro da Alerj pretende lançar um nome.
Há consenso em torno disso?
Também não.
O bloco PT/PCdoB/PV já avisou que só aceita um nome antibolsonarista.
A indefinição, portanto, continua aberta enquanto o Supremo retoma o caso no plenário.
E fora do Rio, onde mais há tensão institucional?
Na Bahia, onde o Tribunal de Justiça é descrito como um ambiente de forte turbulência.
O que chama atenção ali?
A informação relata que metade dos desembargadores já caiu na Operação Faroeste, da Polícia Federal, enquanto a outra metade está na mira do Conselho Nacional de Justiça por decisões consideradas estranhas.
Há também novidade envolvendo recursos para a Polícia Federal?
Sim.
Uma medida provisória assinada por Lula e publicada no Diário Oficial da União destinou parte da arrecadação das bets ao Funapol, o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da PF.
Isso atende ao que a corporação queria?
Apenas em parte.
O reajuste será escalonado: 1% em 2026, 2% em 2027 e 3% em 2028. A PF, porém, esperava mais, porque quer usar esses recursos em equipamentos, viaturas, treinamento de policiais e mais contratações.
E no campo ambiental, o que os dados mostram?
Há algum avanço?
Sim.
68% das cidades já adotam aterros sanitários, atendendo cerca de 169 milhões de brasileiros.
Onde está o maior desafio?
Nos municípios pequenos e na coleta seletiva, presente em apenas 29,2% das cidades.
Como o governo tenta lidar com outro problema crescente, o da desinformação?
O Ipea, em parceria com a AGU e com apoio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, lançou uma pesquisa para mapear como a desinformação afeta a formulação e a execução de políticas públicas.
Quem deve responder?
Servidores em cargos de comissão ou confiança, por meio de questionário no aplicativo SouGov até junho.
Para quê?
E, no fim, o que ficou daquele almoço que deveria render proximidade e espontaneidade?
Ficou a imagem de Lula e Janja em uma gravação pensada pela Secom para as redes, interrompida pelo peso de um cardápio não revelado antes, pela presença da paca no prato e pelo elogio presidencial ao animal silvestre cozido — um episódio que acabou virando, de forma literal e política, um tiro no pé da Secom.