Em um dos estados mais populosos do país, a participação dos adolescentes no cadastro eleitoral está muito abaixo do esperado.
Quanto abaixo?
Em São Paulo, apenas 11,7% dos jovens de 16 e 17 anos tiraram o título de eleitor.
O que esse percentual representa na prática?
Representa um universo grande de adolescentes fora do cadastro.
O estado tem cerca de 1,19 milhão de jovens nessa faixa etária, mas menos de 139 mil fizeram o documento.
Isso ajuda a dimensionar o tamanho da baixa adesão.
Esse número é ruim apenas no contexto paulista ou também chama atenção no cenário nacional?
O índice de 11,7% está bem abaixo da média nacional, que já é considerada baixa: 20,3%.
Em todo o país, cerca de 1,8 milhão de adolescentes de 16 e 17 anos estão cadastrados, dentro de um total de 5,8 milhões.
Mas por que esse dado importa, se o voto é opcional antes dos 18 anos?
Porque tirar o título de eleitor é apontado como o primeiro passo para que o jovem comece a participar da vida política e tenha suas demandas consideradas nas eleições.
Mesmo sem obrigatoriedade de voto nessa idade, o cadastro marca a entrada formal no processo democrático.
São Paulo está sozinho nesse cenário de baixa participação?
Não.
Entre os menores índices do país, aparecem principalmente estados mais populosos.
O Rio de Janeiro tem o pior percentual, com 11,3% dos adolescentes com título.
Em seguida vem São Paulo, com 11,7%, e depois o Distrito Federal, com 12,1%.
Na sequência estão Espírito Santo, com 14,4%, e Rio Grande do Sul, com 14,5%.
E onde os adolescentes estão se cadastrando mais?
Em alguns estados, os percentuais superam com folga a média nacional.
Rondônia, Tocantins e Piauí registram os maiores índices, todos acima de 35% de adesão entre adolescentes.
Esses números reforçam a existência de desigualdades regionais na participação eleitoral.
Esse comportamento é estável ao longo do tempo?
Não.
Os dados mostram que a participação dos adolescentes varia de um ano para outro e costuma crescer em períodos de eleições presidenciais.
Foi o que aconteceu em 2022, quando mais de 2 milhões de jovens tiraram o título, o equivalente a 34% dos aptos.
Ainda assim, o índice atual aponta uma queda no engajamento.
Há alguma tentativa de reverter esse quadro?
Sim.
Com a aproximação do prazo final, em 6 de maio, o Unicef intensificou a mobilização para incentivar adolescentes a se cadastrarem.
Como isso está sendo feito?
Em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral, a campanha aposta em ações nas redes sociais, nas escolas e na imprensa.
E qual é a estratégia dessa mobilização?
Em vez de uma convocação distante, a aposta está na circulação da mensagem entre adolescentes.
O que fica mais evidente quando se olha para todos esses números juntos?
Que o desafio em São Paulo é grande.
Mesmo sendo o estado mais populoso do Brasil, ele aparece entre os piores índices de adesão de adolescentes ao cadastro eleitoral.
E os dados que resumem esse cenário são diretos: cerca de 1,19 milhão de jovens de 16 e 17 anos, menos de 139 mil com título de eleitor, adesão de apenas 11,7%, abaixo da média nacional de 20,3%, com prazo para cadastro até 6 de maio.