Bastou uma ação na Justiça para reacender uma disputa que mistura política, redes sociais e o limite entre crítica e acusação.
O que aconteceu desta vez?
Depois da polêmica envolvendo Alexandre de Moraes e o X, o senador Flávio Bolsonaro decidiu processar a plataforma de Elon Musk para tentar descobrir quem está por trás de perfis que o atacam.
Mas por que ele tomou essa medida?
Para ele, as publicações ultrapassam os limites da liberdade de expressão e da crítica política, entrando no campo do que classificou como uso do anonimato para cometer crimes.
E o que exatamente ele pediu à Justiça?
Flávio acionou o Judiciário do Rio de Janeiro e solicitou que o processo tramitasse em sigilo.
Na petição, feita em janeiro e mantida em segredo até vazar, ele sustenta a tese definida pelo STF no caso que estabeleceu que plataformas podem ser responsabilizadas judicialmente pelo que é publicado por usuários.
Quais dados ele quer obter?
O pedido mira informações pessoais de cinco contas da plataforma, com a exigência de que o X informe CPF, telefone e e-mail dos responsáveis.
Quais são esses perfis?
Foram citados os usuários @crt444ph, @AbortoFavelado, @JorgeLFCoelho, @ivantuita e @opalmiery.
E por que essas contas foram incluídas na ação?
Porque, de acordo com a reportagem, elas publicaram mensagens chamando Flávio Bolsonaro de um dos maiores bandidos do Rio de Janeiro, de miliciano descarado e afirmando que ele faz rachadinha para financiar milícias cariocas.
É justamente sobre esse tipo de postagem que o senador quer responsabilização.
Como Flávio Bolsonaro justificou publicamente a iniciativa?
Em nota, ele afirmou que o objetivo é identificar essas pessoas para que possam responder pelos atos praticados.
A declaração diz: “Flávio Bolsonaro é um defensor da liberdade de expressão e entende que a Justiça brasileira tem as ferramentas necessárias para agir quando há crime.
E, neste caso, tudo o que se quer é fazer valer a lei e retirar do ar as mentiras publicadas pela esquerda”.
E qual foi a reação do X?
A empresa respondeu alegando proteção à liberdade de expressão e apontou risco de assédio judicial.
Segundo a plataforma, a entrega gratuita de dados de usuários, sem análise mínima sobre eventual conduta ilícita e sem avaliação individualizada de cada caso, pode expor pessoas a perseguição judicial e produzir efeitos de censura.
A plataforma foi além?
Sim.
O X também argumentou que as publicações questionadas tratam de temas amplamente debatidos na esfera pública nacional e já noticiados por veículos de imprensa de grande circulação.
Além disso, afirmou que as referências à suposta associação de Flávio com esquemas de rachadinha ou com milícias vêm sendo discutidas publicamente e noticiadas pela mídia há anos.
Então a disputa gira em torno de quê?
De um lado, Flávio Bolsonaro sustenta que houve calúnia, difamação e abuso do anonimato.
Do outro, o X afirma que a revelação de dados sem análise individual pode comprometer a liberdade de expressão e abrir espaço para censura.
E o que fica no centro dessa briga judicial?