Eles não foram encontrados.
Foi assim que a manhã desta quarta-feira terminou para a Polícia Civil do Rio de Janeiro em uma operação que tinha um alvo maior do que nomes conhecidos.
Entre os procurados estavam o rapper Oruam, sua mãe, Márcia Gama, e seu irmão, Lucca Nepomuceno.
Como nenhum deles foi localizado, os três passaram a ser considerados foragidos.
Mas o que estava por trás da ação?
O foco, segundo a polícia, era atingir o braço financeiro do Comando Vermelho no Rio de Janeiro, responsável pela lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.
É esse ponto que muda o peso do caso.
Não se trata apenas de mandados de prisão, mas de uma tentativa de desmontar a engrenagem que, de acordo com os investigadores, ajuda a ocultar patrimônio e movimentar recursos da facção.
Os agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, na zona Sudoeste da capital fluminense.
Durante as diligências, um homem foi preso.
Trata-se de Carlos Alexandre Martins da Silva, apontado pela polícia como operador financeiro da mãe de Oruam.
Por que esse detalhe importa?
O objetivo, segundo a polícia, seria esconder patrimônio e viabilizar a compra de bens.
Em outras palavras, o centro da apuração está no dinheiro e em como ele circula longe dos olhos das autoridades.
No meio desse cenário, outro elemento chama atenção.
A polícia afirma ter identificado diálogos entre Carlos Costa Neves, conhecido como Gardenal, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, e um miliciano.
As conversas, segundo os investigadores, reforçam a influência de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, como liderança central da facção, mesmo após anos preso.
E onde entra Márcia Gama nessa história?
A Polícia Civil a aponta como um dos principais elos de comunicação da facção entre o sistema prisional e integrantes que estão fora dos presídios.
Na visão dos investigadores, ela seria responsável por intermediar interesses da organização.
Márcia é esposa de Marcinho VP e mãe de Oruam.
Esse não é o primeiro episódio do tipo.
Em março deste ano, Márcia já havia sido considerada foragida após não ser localizada em outra operação contra o Comando Vermelho.
Na ocasião, porém, o pedido de prisão foi revogado dias depois por habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça.
A defesa apresentou uma versão oposta.
Descreveu Márcia como servidora concursada, mulher batalhadora, mãe de cinco filhos e sem antecedentes criminais.
A CNN Brasil informou que tenta contato com a defesa dos citados nesta nova fase da investigação.
A operação desta quarta-feira integra a chamada Operação Contenção, definida pelo Governo do Estado como uma ofensiva estratégica para conter o avanço territorial do Comando Vermelho.
O objetivo declarado é desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da facção, além de prender traficantes que atuam na região.
Os números divulgados pelas autoridades ajudam a dimensionar a ofensiva.
Até agora, a operação soma mais de 300 capturados e outros 136 criminosos neutralizados em confronto.
Também foram apreendidas cerca de 470 armas, entre elas 190 fuzis, além de mais de 51 mil munições.
No fim, o ponto central aparece com clareza.
Oruam e familiares não foram apenas citados em uma investigação ampla.
Eles foram alvos diretos de uma operação voltada ao núcleo financeiro de uma das facções mais poderosas do país e, após não serem localizados, passaram à condição de foragidos.
É isso que coloca o caso no centro da atenção policial e pública neste momento.