Um mês depois da morte, o que ainda não apareceu pode ser tão inquietante quanto tudo o que já se sabe.
Por que o caso de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, continua cercado de perguntas?
Porque, passados trinta dias, ainda não há notícia de dois documentos decisivos: o laudo toxicológico e o laudo de necropsia.
A ausência desses resultados chama atenção justamente por se tratar de peças centrais para esclarecer as circunstâncias da morte.
O que já foi feito até agora?
Segundo as informações disponíveis, foram realizadas cinco perícias.
Ainda assim, os dois laudos considerados mais importantes seguem pendentes.
Ambos estão sob responsabilidade do IML de Minas Gerais, e a demora mantém em aberto pontos essenciais do caso.
Mas o que aconteceu com Mourão antes da morte?
Ele foi preso em 4 de março e interrogado por duas horas.
Horas depois, teria tentado o suicídio.
Dois dias mais tarde, morreu no Hospital João XXIII, com registro de encefalopatia.
Essa sequência, por si só, já levanta a necessidade de respostas técnicas mais completas.
E é justamente aí que os laudos ausentes ganham ainda mais peso.
Por que a necropsia ainda não foi concluída?
Porque os médicos legistas solicitaram as imagens das câmeras da carceragem para finalizar o trabalho.
Sem esse material, a conclusão permanece travada.
E quem precisa decidir sobre esse compartilhamento?
Enquanto essa decisão não sai, uma parte importante da reconstrução dos fatos continua suspensa.
E há outro ponto que amplia a tensão em torno do caso: com quem Mourão tentou falar pouco antes de morrer?
Sabe-se que ele tentou ligar para a mãe, para a irmã e para uma terceira pessoa.
É justamente esse terceiro contato que a Polícia Federal ainda não conseguiu identificar.
A dúvida não é lateral.
Ela toca diretamente uma possível conexão com o que Mourão integrava.
Do que ele fazia parte?
Mourão era apontado como integrante de “A Turma”, grupo descrito como responsável por monitoramento ilegal de autoridades e jornalistas, além de acessar bases sigilosas da PF e da Interpol e ser acusado de coação de testemunhas.
Diante disso, a identidade do número desconhecido deixa de ser um detalhe e passa a ocupar um lugar sensível na investigação.
Por que esse número importa tanto?
Porque, se esse contato tiver relação com a mesma rede mencionada nas apurações, descobrir quem estava do outro lado da linha pode ajudar a esclarecer se havia algum movimento de obstrução ou articulação em curso.
Não se trata de antecipar conclusões, mas de reconhecer o peso objetivo dessa informação ainda ausente.
Então o que permanece sem resposta após um mês?
Cada uma dessas lacunas se conecta à outra, e nenhuma delas foi preenchida até agora.
O que se sabe, de forma direta, é isto: Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, foi preso em 4 de março, interrogado por duas horas, teria tentado o suicídio horas depois, morreu dois dias mais tarde no Hospital João XXIII por encefalopatia, teve cinco perícias realizadas, mas os laudos de toxicologia e necropsia ainda não chegaram; os legistas pediram as imagens das câmeras da carceragem para concluir a necropsia, e a autorização ainda depende de Mendonça; antes de morrer, ele tentou ligar para a mãe, para a irmã e para uma terceira pessoa que a PF ainda não identificou; e Mourão era parte de “A Turma”, grupo acusado de monitorar ilegalmente autoridades e jornalistas, acessar bases sigilosas da PF e da Interpol e praticar coação de testemunhas.