Mais da metade do eleitorado ainda desaprova Lula, e esse é o dado que pesa no novo retrato do governo.
A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue em terreno delicado, mesmo após uma leve melhora nos números.
A desaprovação, que em março estava em 54%, recuou para 52,5% em abril.
Já a aprovação foi de 46% para 46,8%.
À primeira vista, a mudança parece pequena.
E é mesmo.
Mas há um detalhe que chama atenção: é a primeira vez desde o início do ano que a avaliação do presidente deixa de piorar.
Isso significa recuperação?
Ainda não.
O levantamento indica mais uma interrupção na sequência de desgaste do que uma virada consolidada.
Lula continua reprovado por mais da metade dos entrevistados, enquanto a aprovação permanece abaixo desse patamar.
Em outras palavras, o governo conseguiu estancar momentaneamente a queda, mas não reverteu o cenário.
O que exatamente os números mostram?
Mostram que houve oscilação dentro de uma margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos.
Isso vale tanto para a desaprovação quanto para a aprovação.
Também caiu o grupo dos que não souberam responder, de 1% para 0,7%.
É um movimento discreto, mas que ajuda a deixar o quadro mais definido: a maioria segue insatisfeita.
E quando a pergunta muda de formato, o problema permanece.
O instituto também quis saber qual conceito os entrevistados atribuem ao governo Lula.
Nesse ponto, a soma de ruim ou péssimo subiu de 50% para 51,3%.
Já o grupo que considera a gestão ótima ou boa foi de 41% para 42%, oscilando no limite da margem de erro.
O dado mais revelador talvez esteja em outro ponto: a avaliação regular caiu de 10% para 6,8%.
Por que isso importa?
Quando esse espaço encolhe, a tendência é de maior definição de posições.
E, neste caso, a parcela negativa continua maior.
Ou seja, mesmo sem nova piora na aprovação, o governo ainda enfrenta um ambiente de rejeição mais amplo do que o de apoio.
Há aí uma contradição importante.
Se a aprovação parou de cair, por que a percepção de ruim ou péssimo subiu?
A resposta está no próprio desenho da pesquisa.
Aprovação e avaliação de governo são perguntas diferentes.
Uma mede o aval ao presidente.
A outra, o conceito atribuído à gestão.
Os dois indicadores caminham próximos, mas não são idênticos.
E o resultado sugere que Lula conseguiu interromper a deterioração em um indicador sem, no entanto, melhorar de forma clara a imagem do governo como um todo.
Isso é suficiente para aliviar o Planalto?
Os números não apontam para isso.
O cenário continua desconfortável para um presidente que vê a desaprovação acima de 50% e a avaliação negativa do governo também nesse mesmo campo.
Para um governo que busca estabilidade política e narrativa de recuperação, o retrato ainda está longe de ser favorável.
Outro ponto relevante é o tamanho da amostra.
O instituto ouviu 5.008 eleitores pela internet entre os dias 22 e 27 de abril.
A metodologia usada foi o recrutamento digital aleatório, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07992/2026.
Então qual é o principal recado da pesquisa?
Mas o alívio termina aí.
O dado central continua sendo o mesmo: o presidente segue desaprovado por 52,5%, enquanto sua aprovação está em 46,8%.
E, quando o eleitor é chamado a classificar o governo, a maioria ainda se concentra no campo negativo.
No fim, a pesquisa não entrega uma virada.
Entrega um freio.
E, para quem está no comando do país, frear a queda pode evitar um dano maior no curto prazo.
Mas não muda o fato essencial de que, hoje, a maioria dos eleitores continua olhando para o governo Lula com reprovação.