Há um nome no centro da tensão que, segundo investigadores, aparece hoje em posição mais sensível do que a de outro ministro do Supremo — e isso muda o peso do Caso Master dentro da Corte.
Mas por que a situação de Alexandre de Moraes seria considerada mais delicada do que a de Dias Toffoli?
Porque, de acordo com relatos feitos à CNN por investigadores ligados ao caso, o material analisado até agora aponta diferenças na natureza dos envolvimentos atribuídos a cada um.
Que diferença é essa?
No caso de Toffoli, a referência feita pelos investigadores seria a uma relação de caráter comercial, ligada à compra e venda de parte do resort Tayayá.
Já em relação a Moraes, a análise mencionada indicaria elementos que poderiam sugerir uma atuação em benefício de interesses do Banco Master.
É justamente essa distinção que, na avaliação de quem acompanha a apuração, torna a situação jurídica de Moraes mais vulnerável neste momento.
Mas essa vulnerabilidade já levou à abertura de um inquérito?
O que investigadores afirmam é que existe uma movimentação em curso no STF para impedir que esse passo aconteça.
Como isso estaria sendo feito?
Segundo essas informações, há uma operação para formar maioria dentro da Corte e barrar a abertura de investigação contra Moraes.
E onde essa articulação encontraria seu ponto mais sensível?
Na tentativa de enfraquecer a posição de Kassio Nunes Marques, ministro que poderia influenciar o desfecho da discussão.
Por que o nome dele entrou nesse tabuleiro?
Porque, segundo revelou o jornal O Estado de S.
Paulo, Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques, recebeu R$ 281,6 mil por serviços prestados à Consult Inteligência Tributária.
No mesmo período, essa consultoria recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master.
Isso significa pagamento direto do banco ao filho do ministro?
A defesa de Kevin afirma que não.
Segundo essa versão, não houve pagamento direto do Banco Master, mas sim repasse por meio da consultoria.
A informação, portanto, aparece no caso como parte do ambiente de pressão e disputa em torno dos votos, e não como conclusão definitiva sobre responsabilidade.
E como estaria hoje a contagem entre os ministros?
Nessa conta estariam André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Nunes Marques.
Do outro lado, contrários à abertura, apareceriam Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
Essa definição já pode ser tomada de forma reservada?
Não.
Pelo regimento do STF, o processo deve seguir para o plenário.
Isso significa que a discussão tende a ganhar forma institucional mais ampla, em vez de ficar restrita a articulações de bastidor.
Ainda assim, o cenário segue aberto, justamente porque a composição de forças é observada de perto e qualquer mudança de posição pode alterar o rumo do caso.
E em que estágio estão as investigações?
Elas continuam em andamento, com expectativa de conclusão em cerca de um mês.
Há mais alguma frente paralela sendo analisada?
Sim.
A delação de Daniel Vorcaro será confrontada com informações da Polícia Federal.
Para quê?
Para eventual homologação pelo relator do caso.
O que fica claro, então, até aqui?
Que investigadores veem Alexandre de Moraes em situação juridicamente mais delicada que Dias Toffoli; que a diferença estaria no tipo de envolvimento apontado nas análises; que há relato de articulação no STF para barrar a abertura de inquérito; que Kassio Nunes Marques aparece como peça importante nessa disputa; que o nome de seu filho surgiu após a revelação de pagamentos de R$ 281,6 mil pela Consult Inteligência Tributária, empresa que recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master; que a defesa nega pagamento direto do banco; e que, no momento, a contagem informal mencionada por quem acompanha o caso indica maioria parcial pró-investigação com André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Nunes Marques, contra Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flávio Dino e Gilmar Mendes, enquanto o caso segue para o plenário e a apuração aguarda conclusão, junto com a análise da delação de Daniel Vorcaro à luz de dados da Polícia Federal.