Uma frase dita no momento certo pode mudar o rumo de uma indicação ao STF.
Foi exatamente isso que aconteceu quando o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, declarou apoio ao nome de Jorge Messias para a Corte e resumiu sua posição com uma definição que chamou atenção: ele seria “praticamente um piauiense”.
Mas por que essa fala ganhou tanto peso?
Ciro afirmou que pode votar favoravelmente a Messias na sabatina do Senado e deixou claro que sua decisão passa por uma avaliação pessoal.
Segundo ele, “é uma decisão pessoal de cada senador”.
Em seguida, explicou por que apoia o indicado: disse conhecer sua história, destacou que Messias viveu a vida inteira no Piauí e o classificou como uma pessoa qualificada.
Isso significa alinhamento automático com o governo?
Não exatamente.
O próprio senador fez questão de marcar uma diferença política ao dizer que gostaria que a indicação tivesse sido feita pelo ex-presidente Bolsonaro, mas reconheceu o resultado da eleição e afirmou que a escolha feita pelo presidente Lula deve ser respeitada.
A fala combina apoio ao nome indicado com uma ressalva política explícita, sem deixar dúvida sobre o voto que ele tende a dar.
E quem é Jorge Messias nesse cenário?
Atualmente, ele ocupa o cargo de advogado-geral da União.
Natural de Pernambuco, ele foi apresentado por Ciro como alguém profundamente ligado ao Piauí.
Essa associação regional ajuda a explicar o tom da declaração, mas também amplia o interesse em torno da indicação, já que a origem e a trajetória dos ministros do Supremo costumam entrar no debate público.
Qual é o peso dessa origem na composição da Corte?
Pernambuco já teve 11 ministros no Supremo.
O último foi Frederico de Barros Barreto, aposentado em 1963.
Já o Piauí teve em Nunes Marques seu sexto nome no STF.
Esses dados ajudam a entender por que a referência de Ciro ao vínculo de Messias com o estado repercutiu tanto.
Mas apoio declarado basta para garantir a aprovação?
Não.
Para ser aprovado, o indicado precisa de pelo menos 41 votos entre os 81 senadores.
E é justamente aí que a disputa se torna mais interessante.
De acordo com o site Votos Senadores, mantido pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), Messias já soma 14 votos favoráveis, enfrenta 22 contrários e ainda tem 45 indefinidos.
O placar mostra que o caminho está longe de estar resolvido.
Onde entra Ciro Nogueira nessa conta?
A plataforma já o registra como voto favorável.
Ao mesmo tempo, mantém como indefinidos nomes relevantes, como o do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e o do senador Cid Gomes (PSB-CE).
Isso revela que, apesar do apoio público de Ciro, a definição ainda depende de movimentos importantes dentro do Senado.
E por que o nome de Rodrigo Pacheco aparece nesse contexto?
Pacheco contava, inclusive, com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Esse detalhe ajuda a explicar por que a indicação de Messias não avançou rapidamente, mesmo depois de anunciada.
Houve demora na formalização?
Sim.
Passaram-se quase seis meses entre a aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso e o envio da mensagem de indicação por Lula.
Embora o anúncio tenha ocorrido antes, em novembro de 2025, a formalização foi adiada em meio à tensão com Alcolumbre.
Só depois disso o processo seguiu adiante.
O que acontece agora?
Cabe ao presidente do Senado encaminhar a documentação à Comissão de Constituição e Justiça, a CCJ.
Nessa etapa, a matéria será relatada pelo senador Weverton Dias (PDT-MA), o mesmo que é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos no INSS.
E qual foi, afinal, a declaração que colocou tudo isso em movimento?
Ao lado de Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, Ciro Nogueira afirmou: “É uma decisão pessoal de cada senador.
Eu mesmo apoio, porque eu conheço a história.
O Jorge Messias é praticamente um piauiense, viveu a vida inteira aqui, é uma pessoa qualificada.
Eu gostaria que quem estivesse fazendo esta indicação fosse o presidente Bolsonaro, mas o povo escolheu que fosse o presidente Lula.
Fez a indicação, nós temos que respeitar”.