Ela trocou os desenhos de cidades por resgates em meio à guerra — e nada nessa mudança aconteceu pela metade.
Quem é Krystina antes de tudo isso?
Seus dias passavam entre plantas, estruturas e o desejo de construir cidades.
Havia um caminho traçado, uma rotina reconhecível, um futuro ligado ao que ainda poderia ser erguido.
E o que aconteceu depois?
Três anos mais tarde, a vida que ela conhecia já era outra.
Krystina deixou de desenhar edifícios e passou a abrir caminhos entre escombros e cercas de arame.
O que antes era projeto se tornou urgência.
O que antes era construção ganhou outra forma.
Mas que caminhos são esses?
São os trajetos que ela percorre para alcançar animais presos em áreas bombardeadas, feridos ou simplesmente abandonados.
Ao longo desse tempo, ela já salvou centenas de cães e gatos.
Não se trata de casos isolados, nem de gestos ocasionais.
É um trabalho contínuo, feito onde o risco ainda existe e onde muitos já não conseguem chegar.
E o preço disso aparece onde?
No próprio corpo.
Krystina carrega cicatrizes de cada missão.
Ainda assim, há algo que não mudou: sua convicção de que nenhuma vida merece ser deixada para trás.
Essa certeza não surge como discurso distante.
Ela acompanha cada entrada em áreas destruídas, cada retirada apressada, cada animal encontrado em condições extremas.
Onde esses animais vão parar depois do resgate?
Em Podilsk, Krystina construiu um abrigo chamado Under the Sun.
O lugar foi erguido sobre as ruínas de uma casa destruída.
O que antes era marcado por cercas quebradas e terra em declive começou a ganhar outra forma, pouco a pouco, com o necessário para acolher quem chega.
E o que existe ali hoje?
Nesse espaço, cada animal recebe tratamento, vacinas e a chance de ser adotado.
Nem todos irão embora.
Alguns ficarão para sempre.
Mas todos encontram abrigo.
E quando o básico falta?
Krystina cozinha mingau para os cães.
No verão, ele estraga rapidamente.
Ainda assim, é o que pode ser feito quando a necessidade fala mais alto.
Não é uma questão de conforto.
É uma questão de sobrevivência.
Ela atua sozinha?
Não.
Krystina trabalha com organizações internacionais para tentar encontrar lares fora do país.
Enquanto isso, o trabalho não para no abrigo.
Ela continua entrando em zonas de guerra onde muitos não se arriscam, retirando dali corpos frágeis que ainda querem viver.
O que resta de sua antiga vocação em meio a tudo isso?
Talvez a ideia de construir nunca tenha desaparecido de fato.
Ela já não levanta prédios, mas segue erguendo algo essencial em meio ao caos.
Em vez de concreto, usa coragem.
Em vez de plantas, usa rotas de resgate.
Em vez de projetar espaços para o futuro, cria possibilidades imediatas para vidas ameaçadas.
E o que, afinal, ela constrói agora?
Uma ponte de compaixão em meio ao caos.
Foi assim que a trajetória de uma estudante de arquitetura se transformou na história de alguém que, em plena guerra, decidiu salvar cães e gatos presos, feridos ou abandonados, criou o abrigo Under the Sun em Podilsk, trabalha com uma pequena equipe, oferece tratamento, vacinas e adoção, cozinha quando falta alimento e segue entrando em áreas de risco porque acredita, sem recuar, que nenhuma vida merece ser deixada para trás.