Os números saíram, e eles dizem mais do que parece à primeira vista.
Mas o que exatamente mudou?
Quando os entrevistados foram perguntados sobre a gestão, 40% disseram considerar o governo ruim ou péssimo.
Parece só mais um dado?
Não exatamente.
Esse percentual ficou bem acima dos que avaliam a administração como boa ou ótima, que somam 29%.
Outros 29% classificaram como regular, enquanto 2% não souberam responder.
Então o cenário piorou mesmo?
Em um ponto, sim, e é aí que muita gente para para olhar com mais cuidado.
Embora o índice de ruim ou péssimo tenha se mantido no mesmo patamar da pesquisa de março, a parcela que via o governo como bom ou ótimo caiu.
Antes, eram 32%.
Agora, são 29%.
A diferença parece pequena?
Pode até parecer, mas ela ganha outro peso quando se observa o conjunto.
E o que acontece quando a pergunta deixa de ser sobre a gestão e passa a ser sobre o trabalho do presidente?
Aí o quadro fica ainda mais sensível.
Mais da metade dos entrevistados, 51%, afirmou desaprovar o trabalho de Lula.
Já 45% disseram aprovar, e 4% não souberam responder.
O dado chama atenção porque, em março, a distância era menor: 49% desaprovavam e 47% aprovavam.
Ou seja, houve uma piora nesse recorte.
Mas há um detalhe que quase ninguém percebe de imediato: não se trata apenas de um número isolado subindo ou descendo.
O que a pesquisa sugere é um deslocamento mais amplo de percepção.
Se a rejeição ao trabalho do presidente cresce ao mesmo tempo em que a avaliação positiva do governo recua, a leitura política muda.
E é justamente aqui que a maioria se surpreende: mesmo sem avanço no índice de ruim ou péssimo, a perda no campo do bom ou ótimo já altera o equilíbrio.
Quem mediu isso e quando?
O levantamento foi feito pelo Datafolha, com 2.004 entrevistados, entre os dias 7 e 9 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.
Paulo, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais.
O registro informado é o TSE nº BR-03770/2026.
Mas por que esses detalhes técnicos importam?
Não é uma impressão solta, nem um recorte informal.
É um retrato estatístico de momento, com metodologia definida.
E o que esse retrato mostra agora?
Mostra um governo com desaprovação maior do que aprovação, tanto na avaliação da gestão quanto na análise direta do trabalho presidencial.
Só que existe outra pergunta inevitável: isso significa uma tendência consolidada?
A pesquisa aponta uma piora em relação a março, mas o que acontece depois pode mudar tudo.
Levantamentos como esse registram o humor do eleitorado em um determinado instante, e justamente por isso cada oscilação passa a ser observada com mais atenção.
No fim, o ponto central é este: a nova rodada do Datafolha indica que a desaprovação ao governo Lula não apenas segue elevada, como agora se combina com uma queda na aprovação e com um avanço da desaprovação ao trabalho do presidente.
E quando esses sinais aparecem juntos, o dado deixa de ser apenas estatístico e passa a ter impacto político real.
A questão que fica no ar é até onde esse movimento pode ir.