A permanência de Marina Silva na Rede provocou uma reação dura e pública da direção nacional do partido.
Mas por que a decisão de continuar na própria legenda gerou tanta tensão?
Porque a escolha veio em meio a um conflito já exposto entre a ex-ministra e a cúpula partidária, aprofundado por uma troca de notas oficiais que tornou o racha ainda mais visível.
O que exatamente disse a direção da sigla?
Em nota assinada no domingo (5) e divulgada na terça-feira (7), a direção nacional afirmou estar perplexa e indignada com a decisão de Marina de permanecer no partido.
A legenda também declarou que jamais sugeriu sua saída, mesmo diante de divergências políticas anteriores, como o apoio à candidatura presidencial de Aécio Neves em 2014, ao impeachment de Dilma Rousseff e à intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018.
Se o partido diz que nunca pediu sua saída, então onde está o centro do conflito?
A direção afirma que Marina se recusa a dialogar com a cúpula e rebate críticas sobre autoritarismo.
Segundo a nota, “não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo.
É compromisso com a vida democrática interna”.
O texto ainda sustenta que a democracia exige respeito às decisões coletivas e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas.
E o que Marina Silva respondeu diante disso?
Para sustentar sua posição, recorreu ao manifesto de fundação da legenda.
Também declarou a intenção de fortalecer alianças com o PSOL, com quem a Rede compõe uma federação, e com outros cinco partidos: PT, PSB, PV, PDT e PCdoB.
Marina classificou essas siglas como legendas que não se deixam capturar pelo autoritarismo e pelo negacionismo.
A reação à manifestação dela ficou restrita à direção nacional?
Não.
Na mesma postagem, o coordenador de comunicação da Rede, Marco Mills Martins, chamou a manifestação de “desrespeitosa” e “repleta de inverdades”.
Ele também acusou a cúpula de não ter submetido a nota à aprovação dos membros e pediu que fosse apurado o uso indevido das redes do partido para essa finalidade.
Esse embate é apenas político ou também chegou à Justiça?
Chegou à Justiça.
A divisão interna tem, do outro lado, a deputada federal Heloísa Helena.
Ela e Marina travam uma batalha judicial pela presidência do partido, em uma ação que inclui acusações de irregularidades em congressos internos.
A direção da Rede afirma que Marina pratica lawfare, expressão usada para se referir ao uso do Judiciário como campo de batalha política.
E o que a legenda diz sobre as decisões judiciais?
A nota sustenta que, ao contrário do que se tenta fazer crer, a Justiça não anulou o 5º Congresso Nacional da Rede.
Segundo a direção, a maior parte das ações foi rejeitada e a atual direção segue plenamente reconhecida, inclusive com integrantes do grupo de Marina em sua composição.
Diante de tanta disputa, qual foi o recado final da direção nacional?
A legenda afirmou que todos os que quiserem se filiar são bem-vindos, desde que respeitem as regras partidárias e o bom convívio.
E, sobre os palanques de 2026, declarou que as decisões serão tomadas no âmbito do partido, com diálogo, bom senso, de forma altiva e sem interferências externas.