O Senado aprovou um projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo, o que significa que o ódio ou aversão a mulheres passa a ser tratado como um crime grave.
Atualmente, atos de misoginia são geralmente classificados como injúria ou difamação, com penas de dois meses a um ano.
Com a nova proposta, a reclusão pode variar de dois a cinco anos, além de multa.
Essa mudança gerou reações diversas, especialmente entre parlamentares de direita.
Por que a direita se opõe ao projeto?
Segundo a publicação, alguns parlamentares de direita manifestaram-se contra a proposta nas redes sociais.
Nikolas Ferreira (PL-MG) descreveu o projeto como "inacreditável" e uma "aberração", comprometendo-se a trabalhar para derrubar a decisão.
Mario Frias (PL-SP) chamou o projeto de "mordaça ideológica", argumentando que ele poderia classificar qualquer crítica ou desentendimento com uma mulher como crime de racismo.
Ele também afirmou que o projeto tenta criminalizar o homem "por ser homem".
Qual é a posição de outros parlamentares de direita?
Apesar das críticas, alguns nomes fortes da oposição, como Flávio Bolsonaro, votaram a favor da mudança.
Damares Alves (Republicanos-DF), embora tenha votado a favor, expressou preocupação de que o projeto poderia violar a liberdade de expressão dos políticos.
Ela mencionou que responde a um processo por misoginia e que o projeto a preocupa.
Sergio Moro (União-PR) também apoiou o projeto, mas criticou seu texto, afirmando que a liberdade de expressão está em risco e que não houve margem para rejeição ou alteração do projeto.
Como foi a votação no Senado?
Durante a votação, o projeto, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSD-MA) e relatado por Soraya Thronicke (Podemos-MS), foi aprovado com 67 votos a favor, dos 68 presentes na sessão.
A maioria dos senadores de oposição votou a favor do texto, apesar das manifestações contrárias nas redes sociais.
O que acontece agora com o projeto?
O projeto segue agora para a Câmara dos Deputados.
Caso seja aprovado sem alterações, será enviado para a sanção do presidente Lula (PT).
Sergio Moro expressou esperança de que os riscos associados ao projeto sejam minimizados durante sua aplicação.
Quais são as preocupações em torno do projeto?
As preocupações principais giram em torno da possível violação da liberdade de expressão e da clareza do texto do projeto.
Sergio Moro mencionou que a oposição tentou protocolar uma emenda para tornar o projeto mais claro, mas não foi aprovada.
Ele espera que os riscos sejam reduzidos na aplicação da lei.
Em resumo, o projeto de lei que equipara a misoginia ao racismo gerou um debate acalorado entre os parlamentares, especialmente entre aqueles de direita.
Enquanto alguns veem a proposta como uma proteção necessária contra o ódio às mulheres, outros temem que ela possa restringir a liberdade de expressão e ser usada de forma excessiva.
O futuro do projeto agora depende da aprovação na Câmara dos Deputados e da sanção presidencial.