Foi em meio à maior crise de 2025, segundo o próprio Gabriel Galípolo, que uma sequência de reuniões discretas passou a levantar suspeitas e perguntas no Senado.
Mas o que exatamente ele foi explicar na CPI do Crime Organizado?
O presidente do Banco Central afirmou, nesta quarta-feira, 8 de abril, que se reuniu com o ministro Alexandre de Moraes e com outros integrantes do STF, mas negou que esses encontros tenham tratado da liquidação do Banco Master ou da situação do banqueiro Daniel Vorcaro.
Então por que essas reuniões aconteceram?
Galípolo disse que os encontros ocorreram por causa das implicações da Lei Magnitsky, sanção imposta pelos Estados Unidos a magistrados.
Segundo ele, a relação com Moraes e com os demais ministros sempre foi de “maior cordialidade”.
Ao responder aos questionamentos, reforçou que sabe que muitas vezes surgem ilações, mas insistiu que o contato mantido com integrantes do Supremo se deu nesse contexto específico, e não para discutir o caso do Master.
Se houve reuniões, por que elas despertaram tanta atenção?
Porque, de acordo com Galípolo, o tema exigia cuidados de dois tipos.
Quais cuidados eram esses?
De um lado, ele afirmou que a publicidade sobre os encontros poderia gerar ilações capazes de se converter em risco financeiro.
De outro, explicou que os ministros envolvidos na questão da Magnitsky tratavam de assuntos cercados por sigilo bancário e financeiro, algo que, segundo ele, o Banco Central tem obrigação de preservar.
Foi nesse ponto que voltou a destacar o ambiente delicado das conversas, dizendo que era um momento muito difícil para todos os envolvidos.
Mas onde entra o Banco Master nessa história?
Ele compareceu à sessão como convidado, com presença facultativa, diferentemente de outros alvos da comissão.
A investigação busca entender a atuação de servidores do Banco Central e possíveis ligações de funcionários do sistema financeiro com esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes relacionadas ao banco.
E Galípolo confirmou algum contato com pessoas ligadas ao Master?
Sim.
Ele disse que, em 4 de dezembro, foi chamado para uma reunião no Palácio do Planalto com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O que foi discutido nesse encontro?
Segundo o presidente do Banco Central, os acionistas do Master relatavam que estariam sendo perseguidos pelo mercado financeiro e que a dificuldade de captação decorreria dessa perseguição, em razão da concorrência que o banco estaria impondo.
Galípolo afirmou, porém, que essa versão não parecia muito aderente, dado o tamanho da instituição.
O que ele fez diante desse relato?
Disse que encaminhou os acionistas aos técnicos da área no Banco Central.
Quem participou dessa reunião no Planalto?
Estavam presentes Daniel Vorcaro, Augusto Lima, ex-presidente do BRB, o ministro Rui Costa e o ex-ministro Guido Mantega.
E o nome de Moraes, por que voltou ao centro do debate?
Porque o ministro permaneceu por cinco meses na lista da Magnitsky.
Ele havia sido sancionado pela gestão Donald Trump, sob a acusação de ter cometido graves abusos contra os direitos humanos e, segundo o governo norte-americano, de ter usado o cargo para autorizar detenções arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão.
Foi nesse cenário que Galípolo classificou as sanções como inusitadas, embora tenha assegurado, à época, que não havia riscos ao sistema financeiro brasileiro.
No fim, o que Galípolo negou de forma direta?
Negou ter tratado com Alexandre de Moraes sobre a liquidação do Banco Master e sobre a situação de Daniel Vorcaro.
O que ele confirmou?