Ele entrou no Congresso Nacional cercado por forte segurança, e a cena por si só já levantou a pergunta mais importante: o que o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, foi buscar entre gabinetes e comissões da Câmara?
A resposta começou a aparecer ao longo da manhã de terça-feira, dia 7. Ghadiri circulou por espaços ligados a parlamentares da esquerda, tentando obter algum tipo de apoio político.
Apoio para quê?
Para reagir, em discursos nos plenários e também na mídia, às ameaças feitas por Donald Trump, que falou em dizimar “uma civilização inteira”.
Mas essa movimentação se limitava a uma defesa diplomática diante da crise internacional?
Havia também uma preocupação prática e antiga por trás da agenda do representante iraniano.
Uma de suas principais buscas envolve uma parceria que o Irã tenta há anos com o Banco do Brasil, numa tentativa de driblar as sanções econômicas impostas ao país.
Onde essa articulação apareceu de forma mais visível?
Uma das agendas de Ghadiri ocorreu na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida por Alice Portugal, do PCdoB da Bahia.
A presença do diplomata nesse espaço chama atenção justamente porque o tema dos direitos humanos carrega um peso inevitável quando se fala do regime iraniano.
E o que foi tratado ali?
Segundo as informações disponíveis, não consta que o embaixador tenha abordado a morte de mais de 60 mil iranianos pelo regime.
Também não consta que tenha defendido o uso de crianças e adolescentes como escudo humano contra ataques dos Estados Unidos.
O foco conhecido da visita estava em outra frente: construir ambiente político para o Irã em Brasília e reforçar interesses ligados à sua situação econômica e diplomática.
Por que isso importa no contexto brasileiro?
Quando um embaixador procura parlamentares, comissões e espaços de fala pública, ele tenta abrir canais de influência, moldar narrativas e encontrar vozes dispostas a ecoar sua posição.
Nesse caso, a tentativa se conecta diretamente à pressão internacional sofrida pelo Irã e à necessidade de aliviar os efeitos das sanções.
E qual é, afinal, o ponto mais sensível dessa movimentação?
Justamente a tentativa de avançar numa parceria com o Banco do Brasil.
Esse interesse não surgiu agora.
Trata-se de uma iniciativa buscada há anos pelo Irã, com o objetivo de criar uma via que ajude o país a contornar restrições econômicas externas.
É esse aspecto que dá à visita um peso maior do que o de uma simples rodada de conversas políticas.
A presença de um forte aparato de segurança também ajuda a entender a dimensão da visita?
Sim.
O embaixador circulou com proteção pessoal reforçada e apoio da Polícia Legislativa, o que transformou sua passagem pelo Congresso em um movimento de alta visibilidade.
Não foi uma agenda discreta, nem uma visita sem repercussão potencial.
Então o que se sabe, de forma objetiva, sobre essa passagem por Brasília?
Sabe-se que Abdollah Nekounam Ghadiri esteve no Congresso Nacional na manhã de terça-feira, dia 7, com forte esquema de segurança.
Sabe-se que visitou gabinetes de parlamentares da esquerda e teve agenda na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida por Alice Portugal.
Sabe-se que buscava apoio político e espaço em discursos e na mídia contra ameaças de Donald Trump.
E sabe-se, sobretudo, que uma de suas maiores preocupações é destravar uma parceria que o Irã tenta há anos com o Banco do Brasil, para driblar as sanções econômicas.