Fotos das deputadas federais Duda Salabert e Erika Hilton foram incluídas em um álbum fotográfico da Polícia Civil de Pernambuco para reconhecimento de suspeitas em um caso de roubo de celular.
O incidente ocorreu em 24 de fevereiro de 2025, no bairro Boa Vista, em Recife.
A inclusão das imagens das parlamentares no álbum gerou questionamentos e preocupações sobre os critérios utilizados pela polícia.
Por que as fotos das deputadas foram incluídas no álbum de suspeitas?
Segundo a publicação, a Polícia Civil de Pernambuco criou um álbum com fotos de seis pessoas para tentar identificar a suspeita do roubo.
As imagens de Duda Salabert e Erika Hilton foram apresentadas à vítima como possíveis suspeitas.
A inclusão das fotos foi informada a Duda Salabert pela Defensoria Pública do Estado de Pernambuco (DPPE), que enviou um ofício detalhando o procedimento.
Quais foram as reações das deputadas?
Duda Salabert enviou um ofício à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco solicitando explicações e a retirada imediata das imagens dela e de Erika Hilton de qualquer material usado para identificação de suspeitos.
Ela afirmou que o episódio apresenta indícios de transfobia institucional e reforça estigmas contra pessoas travestis e transexuais.
Erika Hilton também se manifestou, classificando o uso das fotos como uma prática "racista e transfóbica".
Ela destacou que o álbum foi construído com base em características identitárias, e não físicas, e informou que está acionando órgãos competentes para apuração do caso.
Qual é o procedimento correto para reconhecimento de suspeitos?
O Código de Processo Penal determina que, para o reconhecimento de pessoas, a vítima deve primeiro descrever quem será reconhecido.
Além disso, a imagem da pessoa a ser reconhecida deve ser apresentada ao lado de outras que tenham alguma semelhança física, evitando critérios baseados apenas em identidade de gênero ou raça.
A Defensoria Pública questionou formalmente o procedimento adotado pela polícia, destacando que o critério de seleção das fotos foi o pertencimento a um grupo identitário de gênero e raça, e não a semelhança física com a descrição da suspeita.
Qual é a situação atual do caso?
O caso está sendo analisado na 16ª Vara Criminal da Capital de Pernambuco.
O g1 questionou a Polícia Civil e a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
As deputadas continuam buscando esclarecimentos e medidas para evitar que situações semelhantes ocorram no futuro.
Este incidente levanta questões importantes sobre os métodos de reconhecimento de suspeitos e os potenciais preconceitos envolvidos.
A inclusão das fotos de Duda Salabert e Erika Hilton no álbum de suspeitas sem uma base adequada de semelhança física pode ser vista como um reflexo de práticas discriminatórias que precisam ser abordadas e corrigidas.