“Graças a Deus eu não as represento.
” A frase caiu como uma faísca.
E, dali em diante, o clima saiu do controle.
Mas por que uma resposta tão direta provocou tamanho impacto?
Porque ela veio no exato momento em que a tensão já estava acumulada, com críticas abertas, falas atravessadas e um ambiente que já não escondia o confronto.
Só que isso ainda não explica tudo.
O que estava sendo dito antes dessa reação?
Deputadas usaram o microfone para afirmar: “deputada Erika, Vossa Excelência não nos representa”.
A resposta veio sem recuo.
E foi justamente aí que a sessão mudou de tom de vez.
Mas o que havia por trás dessa troca?
No centro do embate estava uma moção de repúdio contra a presidenta do colegiado, a deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo.
E é aqui que muita gente se surpreende.
A reação de Erika não ficou apenas na frase que incendiou o momento.
Ela afirmou que, depois de toda a sua trajetória de vida, chegar até aquele espaço para representar mulheres com esse tipo de agenda seria, nas palavras dela, “o fim”.
Disse ainda que preferiria pegar suas coisas e sair dali.
Mas há um detalhe que quase ninguém percebe.
Segundo a própria deputada, sua eleição para a presidência da comissão provocou um movimento incomum.
Erika declarou que mulheres que nunca haviam pisado na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher passaram a aparecer ali depois de sua entrada.
E, de acordo com ela, não por interesse no trabalho do colegiado, mas para “lacrar” e usar o ódio contra sua presença como forma de gerar conteúdo para seus eleitores por meio da tática do pânico moral.
Isso muda a leitura do episódio.
Porque a discussão deixa de ser apenas uma troca de acusações e passa a envolver também a disputa por visibilidade.
Erika afirmou que verificou o perfil das deputadas e o quanto eram, segundo ela, “midiaticamente irrelevantes”.
E acrescentou que, ao irem até a comissão para fazer espetáculo e confrontar sua presidência, acabaram buscando números superiores aos que acumulavam de seguidores.
Mas a sessão não parou aí.
No meio da confusão, outro ponto entrou em cena e elevou ainda mais a temperatura.
Erika criticou o uso da biologia no debate e disse que, se houvesse preocupação real com esse argumento, não seria ignorado o fato de que, segundo ela, a biologia afirma que não há vida até determinada semana de gestação.
A fala foi ainda mais incisiva quando ela reforçou: “não sou eu que estou dizendo isso, não é a esquerda, não é a nossa opinião, quem diz isso é a biologia, é a ciência”.
E o que aconteceu depois?
O ambiente, que já vinha carregado, entrou de vez em combustão quando a moção de repúdio passou a dominar a sessão.
Só que existe um ponto que mantém tudo em aberto.
A explosão não surgiu isolada.
Ela apareceu no encontro entre críticas diretas, disputa política, exposição pública e uma presidência que, segundo a própria Erika Hilton, passou a atrair presenças que antes simplesmente não apareciam ali.
E é justamente isso que deixa a cena ainda mais delicada.
Porque, no fim, não foi apenas uma frase dura, nem apenas uma resposta atravessada.
Foi uma sessão inteira empurrada para o limite, com a comissão transformada em palco de um confronto que começou no microfone, ganhou novos contornos ao vivo e terminou sem realmente terminar.