R$ 80,2 milhões: foi esse o valor que colocou novamente sob os holofotes a relação entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Mas de onde saiu esse número e por que ele ganhou tanta repercussão agora?
A resposta está em documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado.
Segundo esses dados, o escritório de Viviane recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre os anos de 2024 e 2025. E como esses pagamentos foram identificados?
A comissão levantou as informações com base na declaração de Imposto de Renda da própria instituição financeira, comandada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março.
Mas o escritório confirmou esses valores?
Não.
Procurado, o Barci de Moraes afirmou não confirmar as informações e classificou os dados como “incorretos e vazados ilicitamente”.
Em mensagem enviada à reportagem, declarou que “todos os dados fiscais são sigilosos”.
Isso significa que o vínculo com o banco foi negado?
O que já havia sido admitido antes?
A própria Viviane já tinha reconhecido a prestação de serviços ao Master.
Em uma nota pública divulgada em março, o escritório informou ter realizado “ampla consultoria e atuação jurídica” para a instituição.
E que tipo de trabalho foi descrito nessa manifestação?
O texto detalhou a atuação de uma equipe de 15 advogados, a subcontratação de outros três escritórios e a realização de 79 reuniões na sede do banco.
Se os serviços foram reconhecidos, então o valor também foi informado naquela ocasião?
Não.
A nota pública descreveu a estrutura do trabalho, mas não revelou o valor cobrado.
Foi justamente essa ausência de cifra oficial que manteve a atenção sobre o caso.
Então já existia alguma referência anterior sobre montantes envolvidos?
Sim, e ela havia surgido bem antes dos dados agora enviados à CPI.
Qual era essa informação anterior?
Em dezembro de 2022, o jornal O Globo revelou que o escritório Barci de Moraes tinha um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.
E como esse acordo funcionaria?
Ajuda a compor a cronologia, mas não substitui os dados mais recentes levantados a partir da documentação fiscal.
E por que os pagamentos mencionados se concentram em 2024 e 2025?
Porque esse era justamente o período em que as remunerações mensais estavam previstas para ocorrer.
Mas eles continuaram normalmente até o fim do contrato?
Não.
Houve uma interrupção no meio do caminho.
O que aconteceu?
Com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, os pagamentos foram interrompidos.
Isso encerrou a discussão?
Não, porque os valores já registrados passaram a ser confrontados com o que havia sido reconhecido publicamente e com o que constava nos documentos fiscais analisados pela comissão.
Então, afinal, o que está confirmado e o que permanece contestado?
Está registrado nos dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado que o escritório de Viviane Barci de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, com base na declaração de IR da instituição.
Também está reconhecido pelo próprio escritório que houve prestação de serviços jurídicos, com 15 advogados, três escritórios subcontratados e 79 reuniões na sede do banco.
O que o escritório contesta são as informações sobre os valores, dizendo não confirmar dados que classificou como “incorretos e vazados ilicitamente”.
E o dado que fecha essa sequência é este: em 2022, já havia sido revelado um contrato de R$ 129 milhões, com pagamentos mensais previstos de 2024 a 2027, interrompidos após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro do ano passado.