Uma crítica direta, um pedido a Lula e uma provocação ao peso do dólar colocaram o Pix no centro de uma disputa que ultrapassa o Brasil.
O que levou Gustavo Petro, presidente da Colômbia, a entrar nesse debate de forma tão enfática?
Segundo informações divulgadas pela TV colombiana RTVC no domingo, 5 de abril de 2026, Petro reagiu à ameaça atribuída a Donald Trump de incluir o sistema brasileiro na lista do OFAC, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos.
Mas por que isso chamou tanta atenção fora do Brasil?
Ele questionou a intenção de colocar o Pix sob controle de um órgão ligado a sanções e ativos estrangeiros e, ao mesmo tempo, defendeu que o modelo brasileiro fosse compartilhado com outros países da América Latina.
A discussão, assim, deixou de ser apenas sobre um sistema de pagamentos e passou a tocar em temas como soberania financeira e inovação tecnológica.
E o que exatamente Petro pediu?
Ele solicitou ao governo de Lula da Silva que estenda o sistema de pagamentos do Brasil para a região.
A proposta mencionada é que a experiência brasileira sirva de base para ampliar o uso de uma ferramenta de pagamento gratuita, reduzindo a dependência de bandeiras internacionais de cartões, que cobram taxas.
Em vez de manter a intermediação tradicional, a ideia é aproximar economias sul-americanas por meio de uma solução que já alcançou grande escala no mercado brasileiro.
Por que o Pix aparece como peça importante nessa conversa?
Porque o sistema acumulou uma movimentação recorde de R$ 35,36 trilhões no ano passado, de acordo com dados informados pelo Banco Central.
Esse volume reforça o tamanho que a plataforma alcançou no país e ajuda a explicar por que ela passou a ser observada também fora das fronteiras brasileiras.
Não se trata apenas de popularidade: trata-se de escala, uso cotidiano e capacidade de operar em larga dimensão.
E o sistema vai permanecer como está?
Não.
O Banco Central prepara novidades para a plataforma.
Entre elas está a cobrança híbrida, que permitirá ao usuário pagar uma mesma cobrança tanto por Pix quanto por boleto.
Essa funcionalidade ainda é opcional, mas se tornará obrigatória em novembro.
A atualização mostra que o sistema continua em expansão e adaptação, o que também contribui para o interesse internacional em torno do modelo.
Então a fala de Petro foi só uma reação política?
Ela também ampliou o interesse sobre a possibilidade de levar o serviço para além do Brasil.
No debate regional, a proposta foi associada à integração das economias da América do Sul por meio de uma ferramenta já consolidada no Brasil.
Nesse contexto, a defesa do Pix aparece ligada à tentativa de reduzir a dependência de estruturas financeiras externas e de taxas cobradas por operadores internacionais.
E como outras figuras políticas reagiram?
De acordo com as informações citadas, Flávio Bolsonaro manteve silêncio sobre as falas de Trump, mas afirmou que não acabará com o serviço se for eleito.
Esse posicionamento surge em meio à repercussão do tema, que ganhou força após a manifestação de Petro e a divulgação da notícia pela RTVC.
O que, afinal, foi dito de forma mais clara por Petro?
Que ele questionou a ameaça do governo dos Estados Unidos de incluir o Pix na lista do OFAC e pediu ao governo de Lula que o sistema brasileiro de pagamentos seja estendido à América Latina, com o objetivo de reduzir a dependência de bandeiras internacionais de cartões e suas taxas.
Ao mesmo tempo, o debate ganhou força porque o Pix movimentou R$ 35,36 trilhões no último ano, enquanto o Banco Central prepara a cobrança híbrida, opcional por enquanto e obrigatória em novembro.