Uma reação dura abriu a disputa em torno de um nome para o STF e colocou, no centro da controvérsia, os limites entre crítica editorial e defesa política.
O que provocou a irritação de Gleisi Hoffmann?
A publicação de um editorial do jornal O Estado de São Paulo, na madrugada desta quarta-feira, 8, com o título “Senado tem o dever de rejeitar Messias”.
O alvo do texto era a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.
Mas por que esse editorial gerou resposta imediata?
Porque o jornal questionou justamente dois pontos exigidos para a nomeação ao tribunal: o “notável saber jurídico” e a “reputação ilibada”.
Ao sustentar que Messias não preencheria esses requisitos, o jornal atingiu o núcleo da discussão sobre sua eventual ida ao Supremo.
E como Gleisi respondeu?
Em postagem feita logo após a publicação, a ex-ministra das Relações Institucionais afirmou que o veículo “se mete onde não deve e agride gratuitamente” o indicado.
A reação não ficou apenas no tom político.
Ela também contestou diretamente a avaliação feita pelo jornal sobre a trajetória de Messias.
Qual foi o argumento usado por Gleisi para rebater a crítica?
Segundo ela, o jornal “esconde dos leitores que Jorge Messias construiu uma das mais sólidas trajetórias jurídicas no serviço público brasileiro”.
Para sustentar essa defesa, foram lembrados dados de sua formação e atuação acadêmica.
Que trajetória é essa mencionada por ela?
Também é mestre e doutor em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UNB).
Sua produção acadêmica inclui a coautoria de um livro sobre reclamações constitucionais e uma passagem como professor visitante na UNB.
Então por que o jornal manteve a crítica?
Porque, no entendimento exposto no editorial, o termo “notável” exigiria um grau de reconhecimento jurídico ainda maior, descrito como algo “amplamente reconhecido por toda a comunidade jurídica e acadêmica, acima de quaisquer controvérsias”.
Ou seja, a divergência não ficou apenas na existência de formação e produção acadêmica, mas no alcance desse reconhecimento.
E a questão da reputação ilibada, como entrou no debate?
Como base para isso, citou o telefonema vazado pela Operação Lava Jato, no qual a ex-presidente Dilma Rousseff afirma que Messias levaria ao presidente Lula um termo de posse para a Casa Civil, a ser usado em caso de risco de prisão.
A posse acabaria anulada pouco depois pelo ministro Gilmar Mendes.
Gleisi se limitou a defender o currículo de Messias?
Não.
Ela também atacou a linha editorial do jornal.
Em sua resposta, declarou: “O notório saber jurídico de Jorge Messias para ser ministro do STF é tão patente quanto o notório preconceito e a aversão dos editoriais do Estadão a tudo que emana do presidente Lula, desde os tempos em que ele despontou como líder sindical enfrentando a ditadura”.
Houve manifestação dos citados após a troca de críticas?
A Gazeta do Povo informou que entrou em contato com o Estado de São Paulo e com a Advocacia-Geral da União (AGU).
Segundo a publicação, o espaço segue aberto para manifestação.
E o que permanece no centro dessa disputa?
A indicação de Jorge Messias ao STF, contestada em editorial pelo Estadão e defendida publicamente por Gleisi Hoffmann, com a discussão concentrada nos critérios de notável saber jurídico e reputação ilibada.
A frase usada por Gleisi contra o jornal foi direta e sem suavização: “se mete onde não deve e agride gratuitamente”.