O peso das dívidas voltou ao centro do debate em Brasília — e agora o governo Lula prepara uma nova tentativa de aliviar o bolso dos brasileiros.
Mas o que está sendo desenhado, exatamente?
A proposta em estudo busca criar um programa de renegociação de débitos com apoio da União, para reduzir o endividamento das famílias e também alcançar empresas de menor porte.
Por que esse tema ganhou tanta urgência?
Porque os números mais recentes do Banco Central mostram um quadro de pressão crescente.
Em janeiro, o comprometimento de renda das famílias com dívidas chegou a 29,3%.
Esse patamar, que também havia sido registrado em outubro de 2025, é o mais alto de toda a série histórica iniciada em 2011.
Com esse cenário, o governo passou a discutir uma nova frente de ação.
Quem poderá ser atendido?
A ideia, segundo fontes, é alcançar tanto pessoas inadimplentes, especialmente as de baixa renda, quanto quem ainda está com as contas em dia, mas já enfrenta um nível elevado de comprometimento da renda.
Isso significa que o foco não está apenas em quem já deixou de pagar, mas também em quem corre risco de entrar nesse ciclo.
Como o governo pretende viabilizar juros menores na renegociação?
Uma das saídas em avaliação é fazer um aporte no Fundo Garantidor de Operações (FGO).
Esse fundo foi criado na pandemia, mas hoje não tem recursos suficientes para sustentar o novo programa.
Com a garantia pública, a intenção é reduzir os juros cobrados pelas instituições financeiras.
Esse repasse, porém, teria impacto sobre o resultado fiscal da União.
De onde poderia vir parte desse dinheiro?
Segundo o Sistema Valores a Receber do Banco Central, esse montante soma atualmente R$ 10,5 bilhões.
Isso já está decidido?
Apesar das discussões e da reunião realizada com Lula na terça-feira, dia 07, ainda não há decisão final sobre esse ou outro tipo de aporte ao fundo.
O plano ficará restrito às famílias?
Não.
Segundo fontes, o programa também deve ter um eixo específico para a resolução de débitos de micro, pequenas e médias empresas.
A confirmação de que haverá mais de uma frente veio do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que o plano deve incluir renegociação com desconto para pessoas físicas e empresas.
Essa é a primeira iniciativa do tipo no atual governo?
Também não.
Entre 2023 e 2024, o governo já havia implementado o Desenrola, programa que renegociou R$ 53 bilhões em dívidas de aproximadamente 15 milhões de pessoas.
Na ocasião, houve desembolso de R$ 1,7 bilhão da União em garantias.
Mesmo assim, os dados de endividamento continuaram em alta, em meio a estímulos ao crédito e a taxas de juros elevadas.
Há alguma exigência para quem aderir?
Essa possibilidade está sendo discutida.
O governo avalia estabelecer uma contrapartida para evitar novo endividamento logo após a renegociação.
Entre as medidas citadas está uma possível restrição a bets e apostas digitais para quem entrar no programa.
A justificativa apresentada é impedir que, após o alívio das dívidas, a pessoa volte rapidamente a se endividar.
E o FGTS pode entrar nessa conta?
Sim, essa hipótese também está em análise.
A equipe econômica discute permitir o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para abater ou quitar dívidas.
Segundo Durigan, a proposta está sendo debatida com o Ministério do Trabalho e Emprego, comandado por Luiz Marinho, que demonstra preocupação com possíveis impactos sobre o fundo.
Há definição sobre o formato?
Ainda não.
O ministro afirmou que, se o governo considerar a medida razoável para o financiamento de dívidas, ela poderá ser admitida.
Quando isso deve ser anunciado?
Segundo fontes, o programa deve ser apresentado nesta semana.
O que já se sabe, até aqui, é que o governo Lula prepara um plano com garantia da União para renegociar dívidas, avalia usar dinheiro esquecido no sistema financeiro, estuda aporte no FGO, discute possível uso do FGTS, quer atender pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas, e considera impor restrição a bets como contrapartida para quem aderir.