A crise era maior do que parecia.
O governo Lula não queria parar em um nome só.
O que aconteceu?
Além do adido americano Michael William Myers, o Planalto queria retirar as credenciais de outro agente dos EUA.
Isso foi adiante?
Não totalmente.
Esse segundo americano chegou a ser barrado de forma temporária pela Polícia Federal.
O que isso significou na prática?
Ele perdeu acesso à sede da PF e também aos sistemas da corporação.
Então por que ele não foi expulso?
Porque o Itamaraty entrou em cena e segurou a medida.
Qual foi o argumento?
A chancelaria avaliou que expulsar dois agentes poderia virar uma escalada diplomática.
Por quê?
Porque os EUA haviam expulsado um delegado da Polícia Federal brasileira, Marcelo Ivo de Carvalho.
E qual era a lógica defendida?
Reciprocidade.
Mas reciprocidade como?
Segundo fontes ligadas ao MRE, a resposta deveria ter a mesma forma e o mesmo conteúdo.
Onde estaria o problema?
Se o Brasil expulsasse dois agentes, iria além do que os EUA fizeram.
E o que isso mostraria?
Na visão do Itamaraty, poderia parecer exagero e ampliar a crise com Washington.
Quem confirmou o bloqueio temporário?
O diretor da PF, Andrei Rodrigues.
O que ele disse?
Que o corte de acesso do funcionário americano ocorreu até a decisão final do Itamaraty.
A identidade desse agente foi revelada?
Não.
E Michael Myers?
Esse teve as credenciais retiradas.
Quem era ele?
Um adido do departamento de imigração dos EUA, o ICE.
Desde quando atuava no Brasil?
Ele estava credenciado por meio da embaixada americana em Brasília desde setembro de 2024.
Quando a medida contra Myers veio a público?
No dia 22 de abril.
Ela foi resposta a quê?
À expulsão de Marcelo Ivo, ocorrida dois dias antes.
E por que o delegado brasileiro foi expulso dos EUA?
Segundo o governo americano, ele tentou manipular o sistema migratório para acelerar a repatriação de Alexandre Ramagem.
O que esse episódio revela?
Que dentro do próprio governo houve freio sobre a reação desejada por Lula.
E por que isso pesa?
Porque expõe um impulso por endurecimento que nem a diplomacia considerou seguro bancar.
No fim, o Brasil retaliou, mas recuou do passo seguinte.
E isso deixa uma pergunta incômoda.
Até onde o governo Lula queria levar essa crise antes de ser contido?