A crise era maior do que parecia.
O governo Lula não queria parar em um nome só.
O que aconteceu?
Além do adido americano Michael William Myers, o Planalto queria atingir outro agente dos EUA no Brasil.
Esse segundo nome foi expulso?
Não.
Ele chegou a ser barrado pela Polícia Federal.
Mas depois teve as credenciais devolvidas.
Por que isso importa?
Porque mostra que a reação do governo foi além do que apareceu primeiro.
E revela uma disputa interna no meio da crise.
Quem segurou a medida?
O Itamaraty.
Segundo o Estadão, a chancelaria avaliou que expulsar dois agentes poderia virar uma escalada diplomática.
Qual era o temor?
Que Washington visse a resposta brasileira como algo além da reciprocidade defendida por Lula.
Em outras palavras?
Os EUA expulsaram um delegado da PF.
Se o Brasil expulsasse dois agentes, passaria do limite que o próprio governo dizia seguir.
E o que houve com esse americano barrado?
O diretor da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o acesso dele à corporação foi cortado temporariamente.
Na prática, o que isso significa?
Ele ficou sem acesso à sede da Polícia Federal e aos sistemas da instituição.
Então ele quase caiu?
Sim.
Mas a decisão final do Itamaraty reverteu o bloqueio.
A identidade dele foi revelada?
Não.
Esse detalhe segue sob sigilo.
E quem foi atingido de fato?
Michael William Myers.
Ele atuava na área de segurança e estava credenciado pela embaixada dos EUA em Brasília desde setembro de 2024.
Qual era a função dele?
Myers trabalhava como adido do departamento de imigração dos EUA, o ICE, no Brasil.
Por que ele perdeu as credenciais?
A medida foi tratada como retaliação à expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho pelos EUA.
E por que Marcelo Ivo foi expulso?
Segundo o governo americano, ele tentou manipular o sistema migratório dos EUA para acelerar a repatriação de Alexandre Ramagem.
Onde está a contradição?
No discurso de reciprocidade.
O governo Lula queria responder na mesma moeda.
Mas, nos bastidores, tentou ir além.
E foi o Itamaraty que precisou frear a própria reação do governo.
O que isso expõe?
Improviso, tensão interna e risco de desgaste externo.
Quando a diplomacia precisa conter o impulso do próprio governo, o sinal é claro.
A crise não estava sob controle.
E o episódio deixa uma dúvida incômoda.
Se nem dentro do governo havia consenso sobre o limite da retaliação, até onde essa condução poderia ter levado o Brasil?