A disputa de 2026 ganhou um novo tom antes mesmo de começar.
Neste domingo, em Brasília, Fernando Haddad decidiu mirar diretamente em um possível adversário de Luiz Inácio Lula da Silva e usou um apelido para fazer isso.
Ao falar no encerramento do 8º Congresso Nacional do PT, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo afirmou que Lula deve disputar as próximas eleições contra o “Bolsonarinho”, em referência ao senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ.
A fala não veio solta.
Ela apareceu dentro de um discurso em que Haddad tentou reforçar a necessidade de continuidade do atual governo e apresentou a reeleição de Lula como algo essencial para o cenário político nacional.
Mas o que mais chamou atenção foi justamente a escolha do alvo e da forma.
Ao reduzir Flávio Bolsonaro ao papel de herdeiro político do pai, Haddad buscou colar no senador todo o desgaste que atribui à família Bolsonaro.
O que ele disse exatamente?
Na sequência, o petista voltou a atacar o grupo político adversário e afirmou que eles “se vendem como antissistema, mas estão há 30 anos fazendo a pior política no país”.
Também disse que “não podemos considerar a hipótese de um retrocesso”.
Por que essa declaração importa?
Porque ela antecipa a estratégia de confronto do PT.
Em vez de tratar Flávio como um nome com identidade própria, Haddad preferiu enquadrá-lo como continuação direta do bolsonarismo.
É uma tentativa clara de simplificar a disputa e transformar a eleição em mais um capítulo da polarização entre lulismo e bolsonarismo.
Mas há um detalhe que reativa a atenção no meio desse movimento.
Enquanto Haddad apostava no ataque e na associação familiar, Flávio Bolsonaro havia divulgado, um dia antes, um vídeo em que tenta apresentar uma linha de atuação política baseada no pragmatismo.
No material, o senador fala em resultados concretos no cenário interno e nas relações internacionais.
Defende a educação como instrumento de desenvolvimento e uma política externa mais prática com potências como Estados Unidos e China, priorizando benefícios econômicos e tecnológicos ao Brasil, sem alinhamentos automáticos.
O contraste é evidente.
De um lado, Haddad insiste na retórica de que a família Bolsonaro representa caos, retrocesso e um histórico negativo.
De outro, Flávio tenta se apresentar com um discurso de gestão, interesses estratégicos e pragmatismo.
A pergunta que surge é simples: o PT quer debater propostas ou prefere reeditar a lógica do inimigo ideal para mobilizar sua base?
Haddad também procurou valorizar Lula pela experiência.
Disse que, aos 80 anos, o presidente teria um diferencial importante no debate político.
A mensagem é clara: o PT quer vender maturidade e continuidade como ativos eleitorais.
Mas essa defesa também expõe uma contradição recorrente do campo petista.
Ao mesmo tempo em que tenta apresentar Lula como símbolo de estabilidade, recorre a ataques personalizados e a rótulos para enquadrar o adversário antes mesmo de a disputa estar formalmente posta.
No fim, o ponto principal da fala de Haddad não foi apenas a crítica à família Bolsonaro.
Foi a sinalização de como o PT pretende entrar na próxima corrida presidencial.
O partido já começa a desenhar o cenário como uma escolha entre Lula e o “filho de Bolsonaro”, apostando na rejeição ao sobrenome rival e na memória da polarização.
Ao chamar Flávio de “Bolsonarinho”, Haddad não apenas atacou um possível concorrente.
Ele revelou, com antecedência, o roteiro que o petismo quer impor à eleição.