A ameaça veio em tom direto: o Irã afirmou que os ataques contra Israel e alvos ligados aos Estados Unidos não só vão continuar, como devem ganhar “maior intensidade e escala”.
Mas o que exatamente foi dito?
Nesta terça-feira, o porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana, Ebrahim Zolfaqari, declarou que o país seguiria agindo e que também atacaria a infraestrutura dos EUA e de seus aliados de uma forma que os “privaria do petróleo e gás da região por anos”.
Por que essa fala ganhou tanto peso agora?
Porque ela surgiu em meio a um momento de forte escalada militar e diplomática, com prazos apertados, novos bombardeios e tentativas de mediação ainda em aberto.
Ao mesmo tempo em que Teerã endurecia o discurso, o presidente dos EUA, Donald Trump, fazia um alerta extremo ao Irã.
O que ele disse?
Segundo a descrição do episódio, Trump afirmou que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso Teerã se recusasse a reabrir a rota marítima do Estreito de Ormuz até o prazo estipulado por ele.
Havia alguma saída diplomática diante desse cenário?
O Paquistão propôs um cessar-fogo de duas semanas em uma tentativa de mediação de última hora.
E como o Irã reagiu?
A poucas horas do prazo final das 21h, no horário de Brasília, imposto por Trump, Teerã analisava de forma positiva o pedido paquistanês para ganhar mais tempo para a diplomacia, segundo um alto funcionário iraniano ouvido pela Reuters.
E os EUA?
A Casa Branca informou que Trump estava ciente da proposta e responderia.
Enquanto isso, o que acontecia no campo militar?
Com o tempo se esgotando, os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã se intensificaram.
Quais alvos foram atingidos?
De acordo com as informações disponíveis, foram bombardeadas pontes ferroviárias e rodoviárias, um aeroporto e uma planta petroquímica.
Houve também ação americana na Ilha de Kharg, onde está o principal terminal de exportação de petróleo do Irã.
E a resposta iraniana ficou restrita ao discurso?
Não.
O Irã declarou que não hesitaria mais em atacar a infraestrutura de seus vizinhos do Golfo.
O que isso significou na prática?
O país afirmou ter realizado novos ataques contra um navio no Golfo e contra um grande complexo petroquímico saudita.
Houve ainda relatos de explosões.
Onde?
Como esse conflito chegou a esse ponto?
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã começou em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou em Teerã o então líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
O que mais ocorreu naquele momento?
Diversas autoridades de alto escalão do regime também foram mortas.
Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios iranianos, além de sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
E como o Irã reagiu desde então?
Em retaliação, o regime dos aiatolás realizou ataques contra vários países da região, entre eles Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã.
O Irã diz mirar apenas interesses dos Estados Unidos e de Israel nesses territórios.
O conflito ficou restrito a esses países?
Não.
Ele também se expandiu para o Líbano.
De que forma?
O Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, atacou território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei.
E qual foi a resposta?
Israel passou a realizar ofensivas aéreas contra o que afirma serem alvos do Hezbollah no país vizinho.
Desde então, centenas de pessoas morreram em território libanês.
E quem assumiu o comando iraniano após a morte de Ali Khamenei?
Com grande parte da liderança eliminada, um conselho do Irã elegeu Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como novo líder supremo.
O que se diz sobre essa escolha?
Especialistas apontam que ele não deve promover mudanças estruturais e que representa continuidade da repressão.
Trump reagiu?
Sim.
Ele demonstrou descontentamento, classificou a escolha como um “grande erro”, afirmou que precisaria estar envolvido no processo e disse que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.