Uma decisão da Justiça de São Paulo mudou o rumo de um dos desdobramentos do roubo que atingiu a Biblioteca Mário de Andrade e deixou uma pergunta no ar: por que um dos suspeitos foi solto agora?
A resposta veio no fim da tarde desta segunda-feira, 6 de abril, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou a soltura de Luís Carlos Nascimento, conhecido como Magrão.
Ele era apontado como suspeito de ter dado “apoio logístico” aos envolvidos no crime ocorrido em dezembro de 2025, no centro da capital paulista.
Mas o que levou o tribunal a rever a prisão?
Segundo a liminar do TJSP, a denúncia apresentada até aqui é insuficiente para afirmar que houve “efetiva participação” de Magrão no roubo.
Com esse entendimento, a corte considerou injustificada a prisão preventiva.
Isso significa que ele ficou totalmente livre?
Não.
A prisão foi substituída por medidas cautelares alternativas.
Entre elas estão a proibição de se ausentar da comarca e o comparecimento periódico em juízo.
Como Magrão havia sido ligado ao caso?
Ainda assim, para o tribunal, esse material não bastou para sustentar a manutenção da prisão preventiva.
Quem pediu a soltura?
A defesa elogiou a decisão do tribunal e afirmou que a inocência de Magrão será “plenamente comprovada no decorrer da instrução processual”.
E o que aconteceu no roubo à biblioteca?
O crime ocorreu na manhã de 7 de dezembro de 2025.
De acordo com a investigação, Gabriel Pereira de Mello, conhecido como Gargamel, e Felipe dos Santos Fernandes, o Sujinho, roubaram 13 obras da maior biblioteca pública de São Paulo.
Quais obras foram levadas?
Foram oito gravuras da série “Jazz”, de Henri Matisse, e cinco gravuras de Cândido Portinari.
O prejuízo estimado foi de pelo menos R$ 1,325 milhão, valor apontado pelos responsáveis da biblioteca e registrado oficialmente na investigação.
Como a ação aconteceu?
No dia do furto, Felipe foi até a casa de Gabriel, na Rua Conde de Sarzedas.
De lá, os dois seguiram para a biblioteca e chegaram por volta das 10h20.
Durante a ação, um segurança e um casal foram rendidos por Gabriel, que estava com arma de fogo.
Em pouco mais de 20 minutos, os assaltantes saíram pela porta da frente levando as obras.
E depois da fuga?
O veículo usado apresentou pane elétrica na Rua João Adolfo, a cerca de dois quilômetros da biblioteca.
A partir daí, os suspeitos seguiram a pé.
Em determinado momento, Felipe pagou R$ 30 a um usuário de drogas para ajudá-lo a carregar as obras.
Às 11h, Gabriel chegou ao prédio onde mora com a primeira leva do material roubado.
Antes disso, ele foi flagrado quebrando as molduras do acervo subtraído.
Onde Magrão entra nessa sequência?
Posteriormente, ele também aparece, e havia sido acusado de ajudar Felipe e Gabriel a transportar o restante das obras.
Foi justamente essa suspeita que levou à prisão agora revogada.
Houve mais pessoas envolvidas?
Sim.
Na noite do mesmo dia, Cícera de Oliveira Santos, esposa de Gabriel, foi vista chegando ao prédio do companheiro.
Às 19h38, ela deixou o edifício com duas sacolas contendo as obras e as entregou ao marido, que naquele momento já não estava mais no local.
Cícera foi presa em 19 de dezembro.
E Gabriel, onde foi visto pela última vez?
Por volta das 20h30, ele apareceu na estação de metrô Parque Dom Pedro.
Depois, desembarcou na estação Itaquera, onde foi flagrado pela última vez.
As obras foram recuperadas?
Não.
Até a publicação da reportagem, nenhuma havia sido recuperada.
A Polícia Civil acredita que o acervo está com Gabriel, que segue foragido.
Quem continua preso?
Felipe dos Santos Fernandes permanece preso desde dezembro.
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 1,325 milhão nas contas dos suspeitos.
E quais foram as 13 obras roubadas?
Foram estas: The Clown, The Circus, Monsieur Loyal, The Nightmare of the White Elephant, The Codomas, The Sword Swallower e The Cowboy, de Henri Matisse; e Mestiço Preso em Tronco, Homem Morto, Queimada no Canavial, Mulher Morta e Homem a Cavalo com Menino na Garupa (1959), de Cândido Portinari.