A disputa de 2026, na fala de Lula, não começa como uma eleição comum, mas como uma nova batalha pela própria democracia.
Por que o presidente colocou a próxima eleição nesse patamar?
Porque, segundo ele, há uma tentativa da direita brasileira de dar continuidade ao que ocorreu em 8 de janeiro de 2023.
Em entrevista ao site ICL, Lula afirmou que existe um movimento para consolidar um “esquema de ultra direita” voltado contra políticas públicas democráticas e contra as instituições.
Mas o que ele disse, exatamente, sobre esse risco?
Lula declarou que há quem sonhe em “fechar a Suprema Corte”, fale em “fraudes nas urnas eletrônicas” e mantenha o hábito de questionar as instituições.
Por isso, afirmou que as eleições voltarão a ser, em suas palavras, uma disputa para “defender a democracia”.
Também disse que será necessário explicar novamente à sociedade o significado da democracia, como, segundo ele, já ocorreu em 2022.
E como essa avaliação se conecta ao governo atual?
A partir dessa leitura, afirmou que passou dois anos reconstruindo políticas públicas que, em sua visão, teriam sido destruídas no governo de Jair Bolsonaro.
Nesse contexto, voltou a dizer que 2026 será o “ano da colheita”, expressão que costuma repetir em seus discursos.
Se ele fala em reeleição, como justifica a continuidade no cargo?
”.
Em seguida, afirmou que tem na cabeça a importância de dar um “salto de qualidade”.
Segundo ele, o país discute muito os efeitos dos problemas, mas não enfrenta suas causas.
Foi nesse ponto que associou a próxima etapa do debate político à necessidade de discutir as origens dos impasses brasileiros.
E quais temas ele apontou como parte dessa agenda?
Lula citou ações de seu governo na área da educação e disse que o próximo passo é discutir o que chamou de “sequestro do orçamento secreto”.
A referência foi feita às emendas parlamentares, hoje um dos principais focos de atrito entre o governo e o Congresso.
O que ele criticou nesse modelo?
Para Lula, “60% do orçamento vai para deputado e senador”, algo que considera “incorreto”.
Na visão do presidente, esses recursos deveriam estar vinculados ao projeto de governo escolhido pela sociedade nas urnas, e não distribuídos de forma dissociada da proposta eleita.
A crítica ficou restrita ao Legislativo?
Não.
Lula também atacou os chamados “penduricalhos” pagos no Judiciário.
O tema ganhou força após decisões recentes de ministros do STF, em meio à informação de que esses pagamentos acabaram aprovados em 70% acima do teto constitucional.
Ao comentar esse cenário, o presidente afirmou ser preciso acabar com a “promiscuidade política” no país e disse que os partidos terão de compreender que “não dá pra continuar assim”.
Em seguida, resumiu sua crítica com outra frase direta: “A verdade não vale mais nada e não é levada em conta.
”
E a entrevista ficou apenas no debate institucional?
Não.
Em outro momento, Lula direcionou críticas ao senador Flávio Bolsonaro, apontado por ele como principal adversário na eleição.
O presidente acusou o parlamentar de querer vender aos Estados Unidos riquezas brasileiras ligadas às chamadas terras raras.
Por que esse ponto ganhou destaque?
Porque esses minerais são considerados cruciais para a produção de componentes tecnológicos.
Lula observou que o Brasil não faz o processamento desses materiais e os vende em estado bruto para outros países.
Ao criticar essa possibilidade, comparou a situação ao petróleo e disse que seria como abrir mão de algo estratégico para o país.
Na mesma fala, também atacou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao mencionar um acordo com empresas americanas envolvendo concessões que, segundo ele, não poderiam ser feitas por se tratarem de bens da União.
E como os Estados Unidos apareceram nessa entrevista além desse tema?
Lula também falou sobre o presidente Donald Trump, a quem chamou de “cidadão no mundo que acha que é imperador”.
Disse ainda que ele governa pelas redes sociais e que “todo dia decide ou desfaz uma coisa”.
No centro de tudo, a mensagem de Lula foi esta: há, segundo ele, uma tentativa de consolidar um “esquema de ultra direita” que passa por “colocar o fim da democracia”, com ataques à Suprema Corte, suspeitas sobre as urnas eletrônicas e questionamentos às instituições, e por isso as eleições de 2026 serão, em sua definição, novamente uma disputa para “defender a democracia”.