Uma declaração de Lula colocou ainda mais pressão sobre um caso que já alcança o Banco Master, o BRB e nomes dos Três Poderes.
O que exatamente ele disse?
Aos poucos, o presidente foi distribuindo acusações, cobranças e conselhos públicos sobre um escândalo que, desde o fim do ano passado, passou a ser investigado pela Polícia Federal.
Quem Lula responsabilizou pela origem do problema?
Segundo ele, o início das supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master remonta ao governo de Jair Bolsonaro.
Na entrevista ao site ICL Notícias, Lula afirmou que o crescimento do banco ocorreu durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, e questionou por que o ex-presidente da autarquia não costuma ser citado nas apurações da imprensa.
O que ele falou sobre Campos Neto?
Lula foi direto ao associar o caso ao antigo comando da política econômica.
Disse que “Roberto Campos legalizou o Banco Master” e afirmou que as irregularidades que, segundo ele, aparecem na “árvore genealógica” do banco têm relação com o governo Bolsonaro, com Paulo Guedes e com ministros daquela gestão.
Ao mesmo tempo, sugeriu que haveria uma tentativa de esconder quem, em sua visão, seria o verdadeiro responsável pelo início da história.
Mas o caso envolve apenas adversários políticos?
Não.
As investigações da Polícia Federal descobriram envolvimento de parlamentares da direita e da esquerda, além de pessoas próximas a Lula e ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
É justamente esse alcance que ampliou o peso político do escândalo e fez o presidente comentar também a lentidão das apurações.
Como Lula descreveu essa demora?
Em seguida, comparou esse ritmo ao tratamento dado ao processo que enfrentou na Operação Lava Jato.
Segundo Lula, naquele caso tudo avançou “como se fosse um avião caça”, porque, nas palavras dele, era preciso colocá-lo na cadeia para impedi-lo de disputar as eleições.
Por que essa comparação apareceu agora?
Porque Lula usou a própria experiência judicial para reforçar a crítica ao andamento do caso atual.
Ele ficou 580 dias preso até que o STF declarasse a incompetência do então juiz federal Sergio Moro, hoje senador, para julgar o processo.
Ao trazer esse episódio, o presidente buscou contrastar a velocidade de sua condenação com a marcha das investigações sobre o Banco Master.
E onde entra Alexandre de Moraes nessa história?
Lula revelou que aconselhou o ministro do STF a se declarar impedido de votar em julgamentos relacionados ao Banco Master.
O motivo é a contratação do escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci, por R$ 129 milhões pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
O que Lula disse ao ministro?
Segundo o presidente, Moraes sabe que a situação prejudica sua imagem.
Lula afirmou que, mesmo que algo seja legal, nas circunstâncias do caso a população pode tratar como imoral, ainda mais em um ano político.
Também disse ter alertado o ministro para não permitir que o caso envolvendo Vorcaro comprometesse a biografia construída por Moraes, especialmente após o julgamento dos atos de 8 de Janeiro.
Qual foi o conselho dado de forma mais objetiva?
Lula relatou ter dito a Moraes que ele deveria declarar publicamente que, pelo fato de sua mulher estar advogando, ficaria impedido de votar em qualquer assunto ligado ao caso no Supremo Tribunal Federal.
A justificativa apresentada por Lula foi a necessidade de transmitir à sociedade uma imagem de firmeza.
E o que o presidente falou sobre a atuação da Polícia Federal?
Disse ainda que já foram deflagradas 10,2 mil operações, contra 6,5 mil durante todo o mandato de Bolsonaro.
Para ele, a orientação atual é de independência, sem interferência do governo nas apurações.
Essa defesa veio acompanhada de algum recado?
Sim.
Lula declarou que diz aos delegados para não mentirem e não fazerem pirotecnia, porque acusar alguém sem prova pode destruir a vida de uma pessoa.
Ao mesmo tempo, defendeu que todos os envolvidos sejam ouvidos, que uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro seja sustentada por provas e que os participantes da fraude sejam punidos, independentemente de quem sejam.
E qual foi a frase final que resumiu sua posição?
Lula encerrou esse ponto com uma cobrança direta: “Punição tem que ser exemplar”.