Lulinha era consultor da Fictor, empresa com dívida de R$ 4,2 bilhões investigada por fraudes.
A investigação da Polícia Federal está focada em suspeitas de fraudes bancárias que podem estar ligadas à facção criminosa Comando Vermelho.
De acordo com informações de pessoas que trabalharam para empresas do grupo Fictor, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Lula, teria uma relação próxima com o empresário Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio da Fictor.
A Fictor, que anunciou em novembro uma tentativa de compra do Banco Master, entrou em recuperação judicial em 2 de fevereiro deste ano, declarando dívidas superiores a R$ 4,2 bilhões.
A operação da Polícia Federal, que teve como alvo Rubini, ocorreu em meio a essas movimentações financeiras suspeitas.
Segundo relatos, Lulinha teria atuado como consultor da Fictor, especialmente ao longo de 2024, com o objetivo de facilitar a aproximação da empresa com o governo federal.
Mas qual era o papel de Lulinha na Fictor?
De acordo com as fontes, ele teria sido contratado para ajudar a empresa a se conectar com o governo, embora sua presença nos escritórios tenha sido reduzida para evitar exposição.
Mesmo assim, ele foi visto no local no ano passado.
Além disso, as mesmas fontes afirmam que, a partir dessa relação, Rubini teria sido indicado para integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, conhecido como “Conselhão”, um órgão consultivo da Presidência da República.
No entanto, a Secretaria de Relações Institucionais negou que Rubini tenha sido indicado por Lulinha para o colegiado.
A proximidade entre Lulinha e Rubini também teria facilitado a participação de Rubini no grupo parlamentar de relacionamento com o Brics no Senado, onde sua atuação no mercado financeiro foi considerada relevante.
No entanto, a defesa de Lulinha contesta essas acusações.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que seu cliente conhece Rubini, mas negou qualquer vínculo profissional com a Fictor ou atuação para indicação a cargos públicos.
“Essa é mais uma tentativa de colocar Fábio no meio de um escândalo”, declarou.
Outro defensor, o criminalista Guilherme Suguimor, reforçou que não houve relação comercial nem participação em articulações políticas.
“Fábio Luís não é político e não possui poder de influência ou determinação de órgãos governamentais”, afirmou.
Segundo a defesa, Lulinha reside na Espanha desde 2024, o que reforça a tese de que ele não teria envolvimento direto nas operações da Fictor.
A situação levanta várias questões sobre a real extensão da influência de Lulinha e a natureza de sua relação com Rubini e a Fictor.
Enquanto a investigação da Polícia Federal continua, o caso permanece envolto em controvérsias e negações, com ambas as partes apresentando suas versões dos fatos.